Capítulo 70

ALICE

Consigo ver que ele está a ir com calma por mim, ele está a controlar-se e isso notasse no seu rosto, à medida que se move para dentro e fora de mim consigo sentir a sua pulsação aumentar e aí ele também aumenta um pouco a velocidade dos movimentos. É por isso que o amo, ele consegue tornar tudo especial e fazer com que o tempo pare.

O sabor salgado do suor nos seus lábios arrepia-me, quero mais, quero-o por completo. Agarro os seus cabelos e beijo o lóbulo da sua orelha, já me tinha apercebido de que ele adora quando faço isso.

- Eu amo-te! - disse sussurrando no fim do beijo.

Ele sorriu e deixou-me um beijo na testa, sinto-me tão bem, tão protegida. Passo os meus lábios pelo seu pescoço e vou chupando suavemente a pele dele. O Henrique não deixa de me olhar à medida que se vem para o preservativo, palavras de amor e promessas de que vai ficar comigo para sempre são proferidas pelos seus lábios carnudos, o seu cabelo encaracolado, agora encharcado em suor, fica em frente da sua testa e eu com uma mão afasto-o para conseguir ver melhor a pessoa com quem eu perdi a minha virgindade.

O seu corpo treme dentro do meu e eu sinto o calor do líquido assim que ele se deita sobre mim.

Beijei o seu pescoço novamente e afaguei o seu cabelo molhado, não sei o que fazer, por isso prefiro ficar em silêncio.

Segundos depois o Henrique levanta-se cuidadosamente e retira-se de dentro de mim, é estranha a sensação de não o ter lá, por isso lanço um suspiro que não pensei que sairia tão alto quanto saiu. Ele tirou o preservativo e, depois de lhe dar um nó, colocou-o dentro da embalagem quadrada.

- Estás bem!? - perguntou, levantando o meu queixo de maneira a que eu olhasse para ele de volta.

- Sim. - respondi. Clareando a minha voz que acabou por sair um pouco rouca. As minhas bochechas estão a ferver, consigo sentir, mas nem quero imaginar como estou. Sento-me na cama e junto as pernas para acalmar um pouco a dor da primeira vez.

Assim que olho para baixo, uma nódoa vermelha está cravada nos meus lençóis. O meu olhar assusta o Henrique que acaba também por olhar para eles.

- É normal! Sabes, na primeira vez...

- Shhhh, sim! É claro que eu sei! - respondi rapidamente.

Eu sabia que as raparigas sangravam na sua primeira vez, é quando se dá o rompimento do hímen, mas isso também podia não ter acontecido. O problema é que toda esta situação me deixou embaraçada e eu não queria que ele tivesse visto o sangue nos lençóis, é muito constrangedor.

- Está tudo bem Alice. Eu não me importo de ver um bocadinho de sangue, aliás, isso só me dá ainda mais certezas de que és minha e só minha!

- Deixa de ser parvo! Tu já sabias disso, não é preciso veres ... isto para descobrires...

- Posso fazer-te uma pergunta? - disse ele sentando-se a meu lado.

- Sim, acho que sim...

- Foi ... tu... foi como tu tinhas imaginado? - perguntou a medo.

- Não. - respondi olhando para os meus joelhos.

- Fiz algo de mal!? Magoei-te!?

- Calma! Não foi como eu tinha imaginado porque... - adoro vê-lo ansioso.

- Sim....

- Porque foi muito melhor! - digo honestamente e olhando para ele. Mesmo doendo um pouco, eu não consigo descrever o quão bom foi, o quanto ele me fez sentir desejada, feliz, foi uma experiência extraordinária.

- Estás a falar a sério!? - exclamou ele.

Acenei afirmativamente com a cabeça. O Henrique suspirou e sorriu para mim.

- Não me voltes a assustar desta maneira Alice Ribeiro! - exclamou ele abraçando-me e fazendo-me cócegas na barriga.

- E tu? - perguntei assim que ele parou.

- Eu o quê?

- Tu gostaste? Eu sei que não fui muito boa, mas eu prometo que da próxima vez vai ser melhor! - estou a falar a sério.

- Já a pensar na próxima vez!? ... - corei com a pergunta, mas ele não me deu tempo para responder. - Alice foi incrível! Foi o melhor, tu és a melhor e nunca duvides de ti, ou de nós e daquilo que acabou de acontecer aqui.

- Mas tu já...

- Esquece o passado! Nenhuma delas era igual a ti, nenhuma me amava de verdade. Nunca precisei de ser sincero com alguém, de ir com calma, nunca pensaram em mim quando o estavam a fazer, só pensavam no prazer que eu lhes dava. Mas eu sei que contigo é diferente, sei que tu me amas, sei que não deixaste de pensar em mim por um segundo que fosse e acredita que eu também não parei de pensar em ti!

As palavras dele deixaram-me num estado de felicidade ainda maior. Receber palavras de amor durante o sexo é bom, mas recebê-las depois ainda é melhor.

- És linda sabias!? - perguntou-me colocando uma madeixa do meu cabelo por detrás da orelha. Os seus olhos azuis parecem cinzentos com a luz que vem lá de fora. Que horas serão? O sol ainda vai a meio, mas no verão é sempre assim, os dias são maiores e acabamos por perder a noção do tempo.

Estamos abraçados a olhar para as paredes pintadas do meu quarto e, sentada no meio das suas pernas, com os seus braços musculados à minha volta perguntei:

- Henrique que horas são?

- Não sei babe.

- Será que já há mais noticias da Inês!? - consegui escapar dos meus pensamentos durante a maior parte da tarde, mas agora parece que tudo voltou ao normal.

- Não penses nisso agora, estamos tão bem... Só os dois, agarradinhos...

De repente a campainha de minha casa toca.

- E agora!? - perguntei eu levantando-me da cama num segundo.

- Calma princesa, não vás abrir.

- E se for o meu pai com a Inês!?

- O teu pai tem chaves Alice...

- Mas, mas eu tenho de ir abrir a porta!

Corri até à casa de banho e peguei na T-shirt do Henrique, o seu perfume ainda se mantém aqui mesmo depois de termos passado a noite no hospital. A campainha não para de tocar e assim que eu volto ao quarto o Henrique pergunta:

- Onde é que tu vais assim!?

- Abrir a porta...

- Mas é que nem penses que vais abrir a porta só com a minha T-shirt vestida! Veste umas calças ou uns calções pelo menos!

Adoro ver a sua faceta de ciumento, ele fica tão engraçado. Acatei o seu pedido e coloquei uns calções curtos, porém, nem se viam por baixo da camisola, eu acho que ele se esqueceu de que é muito maior do que eu.

- Henrique abre as janelas!

- Anh? Para quê? - perguntou confuso.

- Cheira demasiado a sexo aqui dentro! - exclamei eu sorrindo e fechando a porta atrás de mim.

Desci as escadas a correr e dirigi-me à porta, a pessoa do lado de fora deve estar mesmo com pressa pela forma como toca à campainha.

Assim que abri a porta, ele entrou desesperado e a perguntar:

- Onde é que ela está!? Como é que ela está!?

- Afonso!? - indaguei eu surpreendida. Mas infelizmente as surpresas não ficaram por aqui, pois logo atrás dele veio o seu irmão com duas mochilas aos ombros.

- Mas afinal o que se passa aqui!?

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