Capítulo 67
HENRIQUE
Depois da Alice ter entrado para o banho voltei para o seu quarto, não a quero pressionar a nada, mas a verdade é que gostava imenso que isto acontecesse. Já estamos juntos há quase três meses, eu sei que talvez até seja demasiado cedo, mas eu amo tanto aquela miúda.
O António anda-me à perna, está constantemente a perguntar se já a comi, mas ele não entende que a nossa relação é mesmo séria, para o meu amigo, tudo isto não passa de uma birra minha para esquecer a Vitória, mas as coisas não são assim. Talvez fossem no início, talvez quando contei à Alice sobre o que aconteceu no balneário, fosse uma maneira de a fazer ter pena de mim para a sentir mais perto, para ter a atenção dela. Não que eu esteja desesperado por atenção, mas, se ela não estiver comigo, então eu estou sozinho... e eu não quero estar sozinho.
- Henrique!
Assim que ouvi a sua voz corri para a casa de banho e abri um pouco a porta de forma a conseguir ouvi-la melhor.
- Sim, está tudo bem!? - perguntei.
- Entra! Eu quero-te aqui!
Fiquei imóvel naquele momento, "eu quero-te aqui", "eu quero-te aqui", "entra, eu quero-te aqui"... O que é isto? O que está a acontecer? Será que é agora?
- Henrique? Estás aí?
- Sim... tens a certeza do que acabaste de dizer Alice!? - perguntei lentamente. Não quero que ela faça nada obrigada, quero que as coisas aconteçam com o tempo, quando ela estiver preparada para isso, não a vou pressionar mais.
- Tenho!
Abri ainda mais a porta, a casa de banho estava coberta por uma camada de nevoeiro, a água deve estar a ferver, mas é assim que ela gosta. Retirei a minha roupa e deixei-a no chão, mas assim que olhei para o lado, as peças com que ela tinha andado estavam devidamente dobradas e colocadas em cima do cesto da roupa suja, portanto, fiz o mesmo.
Estou com receio de abrir a cortina branca, não quero causar-lhe nenhum desconforto. E se ela não gostar do meu corpo? Será que vai olhar para "lá"? Nunca me disseram que era feio e eu pratico futebol, por isso até sou atlético, mas... Será que ela vai gostar? Porra Henrique abre a merda da cortina de uma vez...
- Alice?
- Sim...
- Tens mesmo a certeza disto? - o meu coração vai saltar-me do corpo. Os pensamentos são variados e passam por várias cenas... O corpo da Alice, a água a correr em cima dos nossos corpos, a Alice... A Alice a dizer que eu sou horrível e que não me quer mais.
- Henrique!? - chamou ela de repente.
- Anh?
- Entra por favor, eu quero mesmo estar contigo.
Abri a cortina lentamente e consegui vê-la, consegui ver tudo dela, o cabelo molhado enquanto a água escorre pelos seus ombros, a sua pele está vermelha por causa da temperatura, os seus peitos são enormes, algo que eu nunca pensei que um simples sutiã de bikini conseguisse cobrir tão bem. Entrei no duche e coloquei-me à sua frente, os nossos movimentos eram lentos, calmos, como se contemplássemos uma obra prima. Ela é linda, tudo em si é perfeito, cada parte do seu corpo é simétrica.
Senti algo do meu corpo a revelar-se, mas não quero que ela note, não quero que este momento acabe mesmo antes de começar.
- Ahm... Henrique...
- Diz.
- O teu... está... tu sabes...
- Desculpa, desculpa a sério, é que eu não controlo, é impossível controlar-me quando estou assim... Contigo!
- Eu sei... e não tem mal, eu gostei.
- Gostaste!?
- Cala-te e beija-me!
ALICE
O corpo do Henrique está gelado. Assim que nos agarramos consegui senti-lo, sentir tudo dele, os nossos corpos combinam completamente.
A diferença de alturas é notória quando me coloco em bicos de pés e ele ainda se baixa, mas, de repente, o meu corpo é levantado ao ar e sem me aperceber, as minhas pernas entrelaçam-se à volta da sua cintura. Esta sensação é me familiar, mas estando os dois completamente nus, é muito diferente.
Sinto-me completa e inteiramente dele, não há nada nem ninguém que me faça sentir da maneira que ele faz. Ele chegou, entrou na minha vida e virou-a de cabeça para baixo e eu nunca pensei que em um mundo invertido eu pudesse demonstrar a melhor parte de mim.
A sua pele está quente agora, e os beijos molhados sabem ainda melhor quando estamos assim. Parece que estamos numa cúpula, onde nada nem ninguém pode interferir.
As mãos do Henrique passeiam pelas minhas costas causando-me arrepios, agarro-me com força ao seu pescoço e sinto-o tremer.
- Estas bem? - perguntei num suspiro que nem sabia que tinha guardado.
- Estou ótimo, mas...
- Mas...
- Mas tenho medo do que possa vir a acontecer, tenho medo de não me aguentar. É que tu estás aqui... assim ... e eu não sei se consigo...
Beijei-o com força, naquele momento o meu corpo já estava novamente colocado no chão, as minhas mãos tentavam agarrar-lhe a parte de trás do pescoço e ele segurava no meu cabelo.
Senti uma coisa quente escorrer-me pelas pernas, não sei o que poderá ser, tendo em conta que o meu período me acabou na semana passada. Sinto-me estranha, mas ao mesmo tempo estão bem.
Fui descendo as minhas mãos pelo seu corpo, sentindo cada pedaço, cada textura, cada sabor. Ele é atlético, tem uns ombros largos e não precisa de se exercitar para que os seus abdominais possam ser revelados. Os meus dedos percorrem um por um lentamente, até chegar à sua cintura.
- Alice... - Olhei
para ele -... Se continuares a fazer isso eu não vou responder por mim!
Olhei novamente para baixo e continuei o percurso da minha mão até lhe tocar
finalmente. Ouvi a sua respiração cada vez mais forte, o seu corpo estremeceu.
Nunca fiz uma coisa destas, não sei o que está a acontecer nem como o fazer,
mas sinto-me completamente à vontade com ele.
- Tens a certeza do que estás a fazer Alice!? - sussurrou ele ao meu ouvido.
- Não, mas tenho a certeza de que é isto que eu quero fazer.
Agarrei-o e comecei por fazer alguns movimentos lentos, não sei como fazer, mas não quero parar. Os olhos do Henrique reviravam-se e enquanto a água corria pelos nossos corpos ele suspirava fervorosamente.
- Alice se continuas a fazer isso eu vou-me vir! Não respondi e continuei.
A sua respiração ficava cada vez mais acelerada, até que ele me agarrou nos braços e disse:
- Para!
- Fiz alguma coisa de errado!? - perguntei eu com medo.
- Não, claro que não! Estás a fazer tudo bem, muito bem! Eu só não quero acabar isto assim...
- Não estou a perceber...
- Anda comigo!
O Henrique desligou o chuveiro e pegou na minha mão levando-me para o meu quarto.
Fechou a porta atrás de nós e agarrou-me novamente.
Ainda nus e agora deitados na minha cama, os nossos corpos entrelaçam-se, completam-se, e assim como duas peças dum puzzle encaixamos perfeitamente.