Capítulo 56
ALICE
O jantar que a Melany fez estava ótimo, sabia que ela tinha imenso jeito para a cozinha, mas esta lasanha surpreendeu-me bastante pela positiva.
Assim que acabamos a deliciosa refeição, o Henrique chamou-me para o seu quarto, pedido que eu só acatei assim que acabei de ajudar a Melany a arrumar a sala de jantar e a cozinha.
- Tu és convidada Alice, não tens de levantar a mesa! - afirmou rudemente o meu namorado. Sei perfeitamente que não o tenho de fazer, mas não acho bem que ela tenha todo o trabalho, a sua mãe já fez o jantar, não é justo que tenha de arrumar tudo sozinha.
- Eu quero ajudar! - exclamei eu esboçando um grande sorriso à Melany e seguidamente ao Jorge.
A sobremesa foi servida assim que levantamos os pratos. A mousse de chocolate com bolacha é das melhores coisas que eu comi até hoje, penso que já escolhi a minha nova sobremesa favorita. Em minha casa, a Rosa costuma cortar fruta para sobremesa, ou então, às vezes faz gelatina, mas nada se compara a esta mousse deliciosa.
- Queres repetir? - perguntou-me o Henrique rindo, mal acabei a minha taça. Acho que a devorei rapidamente e por isso ele ficou a achar que eu queria mais, o que não é mentira, mas tenho vergonha suficiente para não me servir pela segunda vez.
- Não, estou bem assim! Estava tudo maravilhoso como sempre Melany. Muito obrigado pelo convite e por me terem deixado ficar cá ontem. - estou um pouco constrangida, mas tenho que lhes agradecer tudo o que fizeram por mim nas últimas vinte e quatro horas.
- Não tens de agradecer Alice! Aliás, és uma menina adorável e nós gostamos muito de te ter aqui! - respondeu-me o Jorge, enquanto tomava o seu café expresso.
O pai do Henrique sempre foi muito simpático comigo, ele é quase tão querido como a Melany, mas, penso que isso se deva ao facto de ser homem.
Não me deixaram ajudar mais com a limpeza da cozinha, por isso, cedi aos clames do Henrique e subi com ele até ao seu quarto, acompanhada pela linda cadelinha Megui. Acho que nunca vi cadela tão bem tratada como esta, sinto que é quase como uma segunda filha para este casal, ou pelo menos, para a mãe do meu namorado.
- Megui, entra. - pediu o Henrique à pequena cadelinha assim que abriu a porta da sua divisão. Ainda me pergunto como é que um cão tem um espaço só para si. Mas tendo em conta as dimensões desta casa, até as baratas devem ter um buraquinho para cada uma dentro das paredes.
Enquanto divago pelos meus mais estranhos e perturbadores pensamentos sobre baratas e cadelas, o Henrique pega na minha mão e leva-me até ao seu quarto. Parece que já passou uma eternidade desde que estivemos cá, mas foi apenas esta manhã, a discussão com a minha irmã afetou-me demasiado.
- Vais dormir cá esta noite? - perguntou-me ele agarrando-me pela cintura logo após fechar a porta atrás de mim.
- É melhor não Henrique, eu não quero abusar. Já fique cá ontem e jantei cá. Não acho correto continuar aqui...
- Mas tu não estás a abusar! Estás com problemas e eu quero ajudar-te, tu és minha namorada lembras-te?
Fico muito contente quando o oiço dizer a palavra namorada, parece que a minha barriga dá uma volta de trezentos e sessenta graus, sempre que aqueles sons são pronunciados pela sua boca. Não entendo a razão para ficar assim, não é a primeira vez que sou tratada como namorada, mas, ouvir aquilo vindo do Henrique é diferente, parece saber melhor, as sensações são outras. Talvez nunca tenha gostado de ninguém da mesma maneira de que gosto dele.
- Eu sei que só me queres ajudar... - retomo - ... mas é demasiado. Já fiquei cá ontem e não quero mesmo que os teus pais fiquem a pensar que só me quero meter na cama contigo!
- E não queres!? - perguntou ele tentando provocar-me. Arrepiei-me completamente assim que ele me disse aquilo, mas tenho que manter a minha posição e tentar levar os meus pensamentos para outra coisa que não seja adormecer com o Henrique a beijar-me o pescoço.
- Eu... é que eu... eu ...
- Ui, o que se passa Alice? Ficas-te, hmm deixa-me pensar... sem palavras!? - ele continua a provocar-me e está a conseguir.
O meu corpo está a tremer e eu sei que ele sabe disso, as suas mãos continuam a segurar as minhas ancas e o seu cabelo encaracolado está agora à frente dos seus olhos. Ele lambe os lábios, aquele tique é das coisas mais sexys que alguém pode fazer, mas quando ele o faz, o meu coração dispara e uma sensação estranha começa a aparecer na parte inferior da minha barriga.
- Não percebeste o que eu quis dizer! - tentei disfarçar, mas não deve ter corrido muito bem, pois, a minha voz saiu demasiado aguda, o que o fez sorrir.
- Admite Alice! Admite que eu te excito... não percebo porque resistes tanto!
- Henrique para. - sussurrei eu com os meus lábios quase colados aos seus. Os olhos azuis dele estão agora a milímetros dos meus.
- Porquê que não admites? - era possível ver-se formar um sorriso pervertido naqueles lábios cor de rosa.
- Porquê que me fazes isto!?
Ele não me responde, em vez disso, os nossos lábios colidem e a sensação na minha barriga, que outrora era minimamente percetível, agora, passou a ser algo estranhamente bom. As suas mãos enormes agarram a minha cintura e vão descendo até às minhas cochas de maneira a que ele consiga pegar-me ao colo, sou francamente leve e sei que o meu peso para ele não é de todo um embaraço. Assim que sou levantada no ar, sinto algo minimamente familiar tocar-me. Será que ele está...? Ele só pode estar.
Sinto o meu corpo cair na cama dele e neste momento estou sob o seu feitiço, todo o meu corpo é controlado por ele e eu não tenho medo do que possa vir a acontecer, bem, pelo menos é isso que eu acho.
Assim que olho novamente para ele, os seus olhos percorrem o meu corpo, sinto-me leve e incrivelmente quente, talvez esteja com as bochechas super vermelhas, mas ele não parece reparar muito nelas.
O Henrique olha para mim enquanto me desabotoa os jeans brancos, lembro-me dos comentários que ele fez acerca destas calças esta manhã. A lingerie branca, que vesti depois do banho, é possível de se ver assim que ele vai descendo as minha calças lentamente. Não sei o quê que ele me vai fazer, nunca fiz isto antes, não sei sequer o que estou a sentir neste momento. Talvez uma mistura de medo com prazer, nervosismo e muito calor.
Quando as calças caiem finalmente no chão, dou por mim a soltar uma suspiro que nem sabia que estava a aguentar, o que está a acontecer aqui, onde é que eu me estou a meter.
- Eu não quero fazer nada que tu não queiras. - sussurrou ele no meu ouvido enquanto me beijava o pescoço.
Eu não sei o quê que eu quero, eu não sei nada, só quero que ele acabe com esta sensação estranha que tenho dentro de mim.
- Faz o que tu quiseres comigo. - tentei dizer no meio de pequenas arfadas de ar. A minha respiração está mesmo muito acelerada e o meu coração bate cada vez mais rápido sempre que ele se aproxima de mim.
- Não digas isso Alice! Tu e eu sabemos que eu não posso fazer o que quero contigo... pelo menos não por agora... acho eu. - o seu tom parecia preocupado, mas ainda continuava sexy e provocador. Eu não entendo como é que ele consegue.
Assenti com a cabeça afirmativamente. Sei que ele tem razão, tudo isto seria demasiado precipitado e eu poderia vir a arrepender-me no futuro, ou talvez não. Confio inteiramente no Henrique e sei que ele me iria tratar bem, sei que iria fazê-lo com cuidado e carinhosamente, por isso, nunca me iria arrepender de perder a virgindade com o homem que amo. Contudo, talvez não seja este o momento certo.
Os seus beijos continuavam a espalhar-se pelo meu corpo, e as suas mãos subiram até à minha cintura, puxando-me a camisola cor de rosa até à cabeça. Involuntariamente, como se estivesse a ser comandada por algo invisível, levanto o meu pescoço e retiro a T-shirt do seu corpo. Consigo sentir a pulsação dele aumentar enquanto vai descendo em direção ao meu peito. Uma pequena pausa é feita e o Henrique olha para mim. Não sei o que dizer, por isso fecho os olhos e deixo cair a minha cabeça novamente no colchão.
- Se quiseres que eu pare diz! - avisou ele.
- Okay! - respondi.
Um arrepio saiu do meu corpo assim que ele depositou a sua mão em cima do meu ceio. Desde pequena, fui confrontada com o peito relativamente grande, porém, não é nada desproporcional com o resto do meu corpo.
A sua outra mão foi descendo e levantando a minha cocha, de maneira a que ficasse com o joelho fletido. Não sei o que está por vir, mas estou sinceramente a gostar de tudo isto, apesar dos nervos. Senti o deslizar para dentro das minhas cuecas e levantei levemente as ancas com o impulso. O que estará ele a pensar neste momento? Já me toquei uma vez, mas foi tão estranho e nojento para mim que decidi parar. Sei que muitas pessoas o fazem enquanto assistem qualquer tipo de vídeo com um contexto mais adulto, mas eu não fiz nada disso, foi apenas um ato de curiosidade pelo meu corpo.
O Henrique é calmo e cauteloso, ele passa a sua mão pelo meu órgão e eu apercebo-me de que estou completamente húmida. O que está a acontecer? Eu não faço ideia do que seja isto, esta sensação, tudo isto é relativamente novo.
- Eu agora vou fazer-te uma coisa, se te magoar diz-me logo e eu paro, okay!? - perguntou ele segurando-se pelo cotovelo.
- Okay! - concordei.
Assim que acabou de proferir a palavra, o seu dedo é delicadamente colocado dentro de mim e o seu pulso movimenta-se lentamente para dentro e para fora.
Perdi a cabeça, tenho a certeza de que não estou em mim. Sinto qualquer tipo de adrenalina percorrer-me o corpo, da ponta dos pés, à ponta dos cabelos. Ele consegue levar-me para o paraíso numa questão de segundos e eu nem sei como é que isso é possível. Um som extremamente agudo sai dos meus lábios e a sua mão acaba por tapar a minha boca.
- Queres que pare? - perguntou-me o Henrique.
- Não! - exclamei.
- Tu já...
- Eu já o quê Henrique?
- Nada esquece...
- Agora vais dizer! - exclamei eu. Não gostei do corte repentino, aquela sensação foi das melhores coisas que senti até hoje.
- Tu ... tu alguma vez te vieste?
- Anh? - gritei. Eu não sei ... eu nunca fiz nada disto. Oh por favor vamos acabar com esta conversa estúpida e voltar ao que estávamos a fazer.
- Sim Alice, tu alguma vez tiveste um orgasmo? Ou melhor... tu e o Tiago alguma vez...
- Não! Não, nem pensar! Isso nunca aconteceu, nada disto aliás, eu não sei do que estás a falar Henrique. Eu nunca senti isto antes!
Ele sorriu e deu-me um beijo na testa, o que me deixou completamente derretida. Será que ele percebeu que eu sou uma virgem no que toca a todo este tipo de assuntos? Deve ter percebido.