Capítulo 52

É estranho ser tão nova, bem pelo menos eu acho que sou nova, dezasseis anos não é assim grande coisa na vida de uma pessoa, bom continuando, é estranho ser tão nova e já ter uma relação destas, sinto que o amo, amo-o verdadeiramente e consigo ver nos seus olhos que também me ama. Quando era pequena sempre quis conhecer uma pessoa que me fizesse sentir bem, feliz, confortável e estável, mas nunca pensei que fosse uma pessoa como o Henrique, não que ele seja mau, mas eu sempre me vi com o Tiago, um rapaz mais calmo e mais doce. O Henrique é mais ... é mais ... é diferente, é diferente de mim, é mais mexido, conhece o mundo de uma maneira diferente da minha.

- Alice, babe, vamos? - perguntou ele tirando-me do transe em que estava imersa.

- Anh?

- Vamos a tua casa? - indagou novamente sentando-se na cama em frente a mim.

- Ah! Sim, sim eu preciso de ir a casa. - ele olhou para mim e começou a rir-se. O seu sorrido é tão bonito, e a sua risada é demasiado fofa para só eu a conseguir ouvir.

- Tu és louca miúda! - continuava ele enquanto se ria.

- Porquê!? - estou um bocado envergonhada.

- Tu já me tinhas dito que precisavas de ir a casa, aliás, eu já estava a sair do quarto quando olhei de volta para ti e tu continuavas sentada na minha cama a olhar para a parede.

- Oh, desculpa. - agora sim, se tivesse um buraco onde me esconder eu escondia.

- Anda... vamos! - disse ele dando-me a mão para me levantar.

Assim que entramos em minha casa, o meu medo de encontrar o meu pai era imenso, eu não consigo vê-lo, não agora e acho que vai ser muito difícil os meus sentimentos mudarem. Talvez a Rosa esteja cá, ou não, hoje é sábado.

- E se ele estiver aqui? - o Henrique perguntou colocando a sua mão à volta da minha cintura.

- Ele não está! - a voz da minha irmã suou do cimo das escadas.

- Inês! - corri para abraçá-la. - Como estás!? Fiquei preocupada contigo, o teu telemóvel estava desligado.

- Eu estou bem, fiquei sem bateria e o Enzo não tem carregador de IPhone, como tu deves perceber.

- Pois, foi isso que pensei, mas fiquei preocupada na mesma!

- Esta é a minha maninha, sempre preocupada... - disse ela revirando os olhos.

- E tens sorte de alguém se preocupar contigo... se fosse eu no lugar dela acredita que não me preocupava! - vociferou o Henrique.

- Henrique! - gritei eu, encarando-o com cara de reprovação.

- Oh, deixa estar Alice, ele tem razão... - respondeu ela olhando-o fixamente e subindo as escadas novamente de volta ao seu quarto.

- Era preciso isto!? - cheguei perto dele e fiz-lhe o pior olhar que consigo no momento. A minha altura comparada com a dele não intimida ninguém, mas, pela reação dele, o meu olhar fez-se sentir.

- Desculpa okay!? É só que ela enerva-me e tu sabes que sim!

- Ela não fez nada! - exclamei eu.

- Fez sim, revirou-te os olhos! - o seu ar de protetor deixa-me dividida, não sei se fico chateada pela maneira como ele acabou de tratar a minha irmã, ou se lhe dou um beijo pela forma como ele só me estava a tentar defender. Acabo por fazer o que acho mais correto.

- Henrique, ela não fez nada de mal, até parece que nunca me reviraste os olhos...

- Já o fiz sim, mas ... mas não era quando estavas a tentar perceber se eu estava bem!

- Deixas de ser parvo?

- Paras de me chamar de parvo!? - exclamou ele. Parece ofendido e chateado.

- Okay! Acabou a discussão! - gritei.

- Boa, ainda bem!

Ele às vezes consegue ser mesmo irritante. Não entendo se isso acontece por ele estar habituado a que as raparigas acatem sempre o que ele faz, ou se ele é mesmo assim.

Subimos as escadas e fomos para o meu quarto, fiquei com pena da minha irmã, desta vez ela não merecia ser tratada assim. Abri o guarda roupa e retirei de lá uns jeans brancos e uma blusa cor de rosa bebé. O meu closet não é muito recheado de roupa escura, eu não sou uma pessoa com um bronzeado incrível, por isso, se vestir algo muito escuro vou parecer uma vampira.

- Tens a certeza de que queres vestir essas calças brancas!? - perguntou-me ele olhando para mim.

- Anh? Como assim?

- Nada, é só que ... sei lá, devem ficar-te muito bem...

- O quê que queres dizer com isso Henrique!? Que fico mal em calças brancas? - estou a começar a ficar irritada.

- Não! Nada disso babe, até pelo contrário... acho que te vão ficar muito bem! Talvez até bem de mais...

Fiquei sem reação com as suas palavras e acabei por me entalar com a saliva que fluía dentro da minha boca.

- Estás bem!? - perguntou-me ele aproximando-se para me bater nas costas.

- Sim! É só que...

- Só que o quê Alice!? Sempre que te digo algo deste género tu ficas toda atrapalhada...

- Pois, claro que fico!

- Mas não tem mal nenhum, tu és minha namorada... isto vai acabar por acontecer, mais cedo ou mais tarde... - continuava ele aproximando-se cada vez mais de mim. O meu corpo começou a recuar até bater com as costas na parede azul.

- Pois, mas então espero que seja mais tarde! - exclamei eu correndo para fora do quarto em direção à casa de banho.

Ainda esperei alguns minutos antes de me despir para tomar banho, pensei que ele fosse aparecer, mas não o fez. Sinceramente, não sei se fiquei feliz ou triste por ele não ter vindo atrás de mim.

Demorei algum tempo no banho, a playlist da Lana del Rey tocava enquanto a água descia pelos meus ombros. Consegui relaxar durante um bocado e distrair-me no meu mundo alternativo.

- Alice!? - ouvi-o atrás da porta. - Alice estás bem?

Não lhe quero responder, fiquei demasiado intimidada por ele ainda há pouco e agora estou nua dentro de um chuveiro enquanto ele está lá fora a...

- Alice se não me respondes eu juro por Deus que eu vou entrar aí dentro!

- Estou bem! Já vou sair! - gritei.

Começo a pensar como seria se não tivesse dito nada, como seria se ele tivesse entrado dentro da casa de banho enevoada, o que é que ele faria comigo ou o que eu faria com ele. Sou demasiado inexperiente neste tipo de assuntos. Uma vez vi um bocado de um vídeo desse género, um rapaz estúpido da minha turma estava a vê-lo no intervalo e obviamente que tinha de se exibir em frente ao resto dos colegas. Sinceramente, achei tudo aquilo demasiado forçado, notava-se perfeitamente que eles não sentiam nada um pelo outro, só estavam a fazer aquilo pelo dinheiro e talvez pelo prazer, eu não sei.

- Alice! Chamou-me novamente, mas desta vez ele entrou na casa de banho.

Apressei-me a tapar-me vestindo o meu roupão azul claro, mas provavelmente ele já viu mais do que aquilo que era suposto.

O seu rosto estava fixado no meu corpo agora coberto, a sua boca está aberta e os seus olhos brilhantes. Não sei como reagir, estou imóvel e a tremer.

- Desculpa! - exclamou ele virando-se de costas.

- Não, não tem mal, eu é que devia ter respondido... acho eu.

- Tu estás tão ... tão ... fogo Alice tu deixas-me sem palavras caramba!

- É melhor saíres, eu preciso de me vestir.

- E eu só te quero despir. - sussurrou ele por entre os dentes. A sua tentativa de não ser ouvido não funcionou muito bem, porém, eu não quero que ele perceba que eu entendi o que ele disse.

- Anh? - perguntei. As minha bochechas começam a corar novamente e uma sensação estranha pousa no final da minha barriga.

- Nada, é melhor eu sair mesmo! - exclamou ele.

Assim que ele se virou novamente, foi inevitável reparar na elevação predominante no centro das suas calças de ganga escuras. Sorri envergonhada e ele reparou que eu tinha notado a sua excitação.

- Eu vou sair... - continuou ele.

- Sim, okay! - respondi ainda com o corpo dormente.

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