Capítulo 45

Não respondi ao elogio, fiquei um pouco envergonhada na verdade, apenas lhe dei um beijo voltamos para a sala.

- Vamos? - perguntou o Enzo.

- Ainda temos de falar melhor sobre isto! - sussurrou o Henrique no meu ouvido.

- Vamos! - respondi eu tentando impor-me.

Saímos de casa por volta das dez horas da noite, a discoteca ainda ficava a alguns minutos do condomínio, como o Enzo não tinha carro, ele e a minha irmã acabaram por vir connosco no Mercedes do Henrique, mais um ponto para o deixar chateado esta noite.

Assim que chegamos, reparamos que estava imensa gente na fila para entrar e no meio de todas essas pessoas estava o António.

- Então meu, vieste com a cresce atrás hoje!? - disse ele para o Henrique. Não gostei nada do que ele acabou de dizer, aliás detestei mesmo. Já reparei que ele não gosta muito de mim, mas eu não sou obrigada a levar com o parvo do António esta noite, eu vim cá para me divertir e a única razão que me fez fazer o Henrique falar com ele para virmos juntos, foi pelo facto de que eles não se vêm muito ultimamente, portanto foi a criancinha da cresce que nos trouxe cá esta noite. Mas eu não fui capaz de lhe dizer isto, na esperança de que o meu namorado o fosse dizer, mas enganei-me.

- Então pah, como estás!? - respondeu o Henrique cumprimentando-o alegremente.

- Bora para dentro, eu conheço o segurança! - disse ele direcionando-nos à entrada.

Este deve ser o tipo de rapaz que passa todos os fins de semana em discotecas a comer raparigas e a embebedar-se até segunda feira. A única coisa positiva, é que conseguimos passar à frente na fila e entramos num instante.

- Bem mana, eu e Enzo vamos dispersar um bocadinho, já deu para ver que o Henrique não gostou muito da situação...

- Oh não, fiquem mais um bocado! - pedi eu. Não me estava nada a apetecer ter de aturar aquele parvo.

- É melhor não, eu também combinei encontrar-me com uns amigos meus da escola. - respondeu-me a Inês.

- Okay, vão lá então...

- Diverte-te Alice! - disse o Enzo enquanto entrava pelo meio da multidão que já estava na pista de dança.

Juntei-me novamente ao Henrique e aos seus amigos no bar, não conheço muitos deles, mas o António já estava abraçado a uma rapariga alta e loira.

- Então Alice estás boa? - perguntou-me ele. Sei perfeitamente de que está a gozar comigo, mas a única coisa que faço é responder-lhe com o maior sorriso falso que consigo expressar:

- Estou!

O meu namorado abraçou-me por trás e deu-me um beijo no rosto, o seu perfume é mesmo muito bom.

Fomos para o centro da pista mal o DJ começou a colocar música, ainda não bebi nada, e ao contrário de todos aqui eu não gosto muito de álcool, portanto quando o Henrique me perguntou se eu queria alguma bebida eu pedi uma Coca-Cola.

- Olá! - disse a rapariga que estava com o António, mal eles saíram para ir buscar as bebidas.

- Olá! - respondi.

- Então tu e o Henrique já namoram há muito tempo?

- Namoramos há quase dois meses, e tu e o António!?

- Ah não, nós não namoramos, damos umas voltinhas estás a ver, nada sério.

- Sim, estou a perceber. - Não sei porquê, mas esta rapariga não me inspira confiança nenhuma.

- Tu és muito mais nova do que ele não és? - perguntou ela com um sorriso cínico na cara.

- Três anos. - respondi continuando a dançar.

- E vocês dão-se bem com tanta diferença? - Ela está seriamente a começar a irritar-me.

- Muito bem!

- Desculpa estar a fazer-te tantas perguntas, mas eu nunca pensei ver o Henrique a namorar, principalmente com uma rapariga tão...

- Tão o quê!? - interpelei de forma bruta.

O Henrique e o António chegaram nesse preciso momento e deram-nos as bebidas para a mão. Penso que se eles não tivessem aparecido neste momento eu me iria passar com a loira oxigenada à minha frente.

- Está tudo bem Alice? - perguntou-me o meu namorado.

- Sim! - respondi eu enquanto me acalmava.

Passamos algum tempo a dançar, bem, pelo menos eu e o Henrique estávamos a dançar, o António e a outra parva estavam apenas a roçar-se um no outro. Foram chegando mais alguns amigos dele e todos me cumprimentaram como se eu já fizesse parte do grupo, ao contrário daqueles dois.

- Então Alice como estás? - perguntou-me o Filipe. O Filipe é outro amigo do Henrique que também joga futebol, mas ao contrário do António, ele sempre foi simpático comigo e nunca me tratou como se eu fosse uma criança.

- Estou bem! - respondi sorrindo.

- Então o Henrique voltou a convencer-te a vir?

- Na verdade, fui eu que o convenci a vir... - afirmei.

- Sim senhora, estou a gostar de ver! - disse ele enquanto se ria e bebia mais um gole da sua bebida, provavelmente alcoólica.

A música estava bastante agradável, e toda a gente na discoteca dançava, uns melhor outros pior, mas todos se estavam a divertir. Nunca pensei gostar deste tipo de ambientes. A minha bebida já acabou há algum tempo, por isso, decidi ir buscar outra, pedi ao Henrique o meu cartão e depois de lhe dar um beijo dirigi-me ao balcão.

- Então linda o que vais beber!? - perguntou-me a rapariga que estava a servir.

- Hmm...

- Posso ser eu a escolher para ti!? - disse-me um rapaz enquanto se aproximava de mim.

- Desculpa, mas eu não te conheço! - respondi eu prontamente.

- Mas podes ficar a conhecer se quiseres...

- Obrigada, mas passo!

- Anda lá miúda, só te quero pagar uma bebida!

- Epah já disse que não! - gritei eu retirando a sua mão do meu braço.

- Mas porquê que te estás a fazer de difícil? Eu sei muito bem que tu também queres! - continuava ele chegando-se cada vez mais próximo de mim e tocando-me no cabelo. Estou a ficar com medo, o meu corpo está a tremer, olho para todos os lados para ver se vejo o Henrique algures, mas ele deve estar lá para o meio da multidão.

- Larga-me! Eu já te disse que não quero nada contigo! - repeti novamente aos gritos.

- Querida, com esse vestido só dás a entender que queres algo comigo e não são só uns beijinhos!

- Larga-me! - gritei eu. Mas ele agarrou-me e começou a beijei-me o pescoço, todos os esforços que eu fazia para que ele me soltasse não resultavam em nada, e o pior é que ninguém fazia nada em relação ao que estava a acontecer.

- Larga-a! - ouvi alguém gritar. Ainda com os olhos fechados senti alguém empurrar o rapaz que me agarrava e ouvi um estrondo como se um corpo tivesse caído no chão. Assim que abri os olhos, vi o Henrique ajoelhado no chão a socar o palhaço que me estava a assediar.

- Tu não voltas a tocar na minha namorada seu filho da...

- A tua namorada é que é uma oferecida, se ela não viesse com aquele vestido... - os murros iam surgindo cada vez mais e mais de força, o rapaz continuava estendido no chão sem se mexer, ele não tinha quaisquer hipóteses contra o Henrique.

- Cala a boca seu traste, nunca mais voltas a tocar em nenhuma gaja tas a perceber!? - vociferava o Henrique segurando-o pelos colarinhos da camisa branca que agora estava manchada com sangue.

Do nada, apareceram dois seguranças que tentaram parar a briga, o Henrique tentava explicar o que tinha acontecido, mas nenhum lhe prestava atenção, só tentavam fazer com que ele saísse assim como faziam com o rapaz. Porém, o António foi falar com um dos seguranças e explicou-lhe tudo novamente, só aí é que eles olharam para mim e viram a minha cara de pânico. O Henrique acabou por não ser expulso, ao contrário do otário que me tentou fazer, eu nem quero pensar o que ele queria fazer.

- Alice princesa como estás? - perguntou-me o meu namorado abraçando-me.

- Agora estou bem. - suspirei de alívio. - Leva-me para casa, eu não quero ficar aqui nem mais um minuto! - pedi.

- Vamos, eu também não quero ficar mais aqui!

Enquanto eu ia para a saída, o Henrique voltou ao centro para avisar os amigos de que vinha embora, só espero que o estúpido do António não o convença a ficar.

- Alice soube o que te aconteceu. Como estás? - perguntou-me o Filipe enquanto vinha da casa de banho presumo.

- Estou melhor, mas vou embora com o Henrique, eu não consigo ficar aqui...

- Claro, eu compreendo. Aposto que sei quem te fez isso, esse gajo também joga futebol connosco, mas não é do grupo, o único que se dá razoavelmente bem com ele é o António. - porquê que eu não fiquei surpreendida com a afirmação que o Filipe fez.

- Obrigada pela preocupação, eu agora só preciso mesmo de ir para casa. - sorri em tom de agradecimento.

- Sempre que precisares de alguma coisa diz-me. Eu dou-te o meu número para o caso.

Acabamos por trocar números de telemóvel, o Filipe foi muito amável comigo, até que finalmente o Henrique chegou.

- Estás pronta? - perguntou-me agarrando-se logo à minha cintura, parecia querer impor-se na frente do amigo.

- Sim, vamos! Adeus Filipe e obrigada mais uma vez! - exclamei eu despedindo-me.

- Não gosto que fales com ele! - dizia o meu namorado enquanto saíamos da discoteca.

- Anh? Porquê!? - indaguei eu sem perceber.

- Só não gosto é isso!

Não tive tempo de responder ao que o Henrique me acabara de dizer, pois, neste preciso momento acabo de ver o meu pai a sair do carro com a ...

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