Capítulo 38

INÊS

Acabo de fazer algo que nunca pensei que fosse acontecer, claro que queria que acontecesse, mas nunca pensei que seria no dia do meu décimo sexto aniversário, na casa de banho de uma cafetaria. Sempre sonhei com algo bastante romântico, talvez no meu quarto, ou no do meu namorado, pensei num cenário com velas e pétalas de rosas vermelhas, talvez uma ou duas garrafas de champanhe, música de fundo, sei lá, talvez tenha exagerado um bocado no romance que coloquei na cena, mas para mim isso é que era perfeito. Mas agora posso dizer que não importa onde seja feito, se é ou não romântico, o eu importa é se o fazemos com amor, e neste momento eu tenho a certeza de que amo o Enzo.

Quando ambos terminamos de nos arranjar, beijamo-nos novamente e saímos da pequena cabine.

- Inês, eu tenho quase a certeza de que alguém nos ouviu.

- Achas mesmo!? - estou com um pouco de receio relativamente a este assunto, para além de não estarmos no sítio mais apropriado para fazer o que fizemos, pode ter sido qualquer pessoa, incluindo o meu pai.

- Eu penso que ouvi alguém, mas depois tu...

- Será que foi o meu pai!? Ai meu Deus e se foi mesmo ele! Ele vai matar-me!

- Calma, vai tudo correr bem!

- Como é que vai tudo correr bem? Ainda por cima nós não temos qualquer tipo de relação, nós só acabamos de...

- Fazer sexo? Foi só isso para ti?

- Não, até pelo contrário! Como é que ficamos Enzo, o que é que nós somos!? - as lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto enquanto fixava os meus olhos nos dele.

- Inês, eu acho que estou a começar a apaixonar-me por ti, caso contrário nunca teria feito nada contigo...

- Estás mesmo a falar a sério!?

- Claro que estou, parece-te ser um momento para brincar!?

- Não, claro que não, tens razão, é só que eu pensava ser a única...

- A única em relação a quê?

- Em relação a isto, a nós, pensava ser a única que gostava... não me sei explicar...

- Porquê que não dizes logo que também gostas de mim!? - sorriu ele enquanto me dava a mão.

- Eu gosto de ti Enzo, gosto mesmo! - exclamei. Sem dar por nada, estávamos abraçados, as suas costas estavam encostadas à enorme bancada com lavatórios, enquanto eu me mantinha à sua frente. Sou um pouco mais baixa do que ele, o que nos torna um casal incrivelmente perfeito, ele não é tão alto como o Henrique, porém, deve ser da mesma altura que o Afonso.

É verdade, o Afonso está lá dentro, não percebo o que veio cá fazer, ninguém o convidou. Quando ele entrou pela porta da cafetaria, o meu coração parou, não por ter sentido alguma coisa por ele, para mim ele já fazia parte do passado, mas porque me apercebi de que ele sente algo por mim. A primeira coisa que me disse foi "Parabéns", mas quando se aproximou de mim, tentou beijar-me, beijo esse que eu neguei imediatamente, ainda nos afastamos um pouco da festa para conversarmos, mas a conversa não demorou muito tempo, o Tiago apareceu e levou-o, pode ser que lhe tenha explicado em que ponto é que a situação está.

- Inês, estás bem? - perguntou-me o Enzo.

- Sim, é só que ainda não me disseste o que somos ...

- Somos namorados!

- Somos? Namorados a sério!? - sinto que me vai dar um mini ataque a qualquer momento, estou arrepiada e sinto borboletas na barriga. Finalmente tenho um namorado, alguém que gosta de mim, alguém que não me vê apenas como uma amiga, ou como a gémea maléfica.

- Sim Inês! Somos namorados! - repetiu ele.

Saímos da casa de banho feminina depois de alguns beijos, a festa continuava animada, se fosse na minha antiga cidade, já quase todos se teriam ido embora, mas agora estou na capital, agora sim posso aproveitar a minha vida e os meus recém chegados dezasseis anos.

- Filha onde é que te meteste!? - perguntou-me o meu pai, quando me aproximei da mesa do bolo. Eu e o Enzo separamo-nos mal saímos, para não darmos nas vistas de que estávamos juntos lá dentro.

- Fui à casa de banho. - o meu coração palpitava cada vez mais rápido, estou seriamente com medo de que ele tenha descoberto tudo.

- Demoraste assim tanto tempo na casa de banho? - indagou.

- É que o bolo não me caiu muito bem, talvez tenha sido por causa da pasta de açúcar.

- Mas estás bem Inês, precisas de ir ao hospital!? - a sua reação foi genuína, não me parece que tenha sido ele a entrar na casa de banho, enquanto eu e o Enzo... - Inês, estás bem?

- Sim, sim pai, está tudo bem, eu vomitei, por isso é que demorei algum tempo, precisava de me recompor.

- Tem cuidado, qualquer coisa de anormal que sintas avisa-me logo!

- Sim, eu já sei!

O meu pai sorriu para mim e deu-me um beijo na testa, estou bastante aliviada por ele não saber de nada, mas ao mesmo tempo preocupada, pois agora não faço ideia de quem entrou, poderia ter sido qualquer pessoa que está aqui na festa. Neste momento, estão todos a dançar, todos menos o Tiago e o Afonso, eles estão ambos sentados numa pequena mesa encostada a uma janela, não sei do que falam, mas o Tiago parece explicar algo para o irmão, algo que aparentemente o Afonso não está a gostar nada de ouvir.

A dado momento, o Enzo aproxima-se de mim, e após colocar a sua mão na minha cintura, sussurra-me ao ouvido:

- Já está quase na hora do fim da festa princesa.

- Então já vou anunciar isso aos plebeus... príncipe. - sussurrei de volta no seu. Voltei-me para todos os meus amigos e, enquanto o meu novo namorado baixava a música, eu tocava com um garfo de sobremesa num cálice de champanhe.

- Pessoal, peço a vossa atenção! A festa está mesmo quase a terminar, por isso, queria dizer-vos que adorei partilhar o meu dia especial com todos vocês e que vos adoro do fundo do meu coração! Obrigada por tornarem este dia ainda mais especial!

Depois do meu lamechas, mas incrível discurso, todos se começaram a ir embora, até que do fundo da sala, vejo o Tiago a aproximar-se rapidamente de mim.

- Inês, podemos falar!?

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