Capítulo 34

O meu coração parou assim que vi a maravilha que está à minha frente. Ele sabia que eu sempre sonhei vir a este lugar, falamos disso no oceanário, mas nunca pensei que ele me trouxesse cá.

- Então, gostaste da surpresa!? - perguntou-me o Henrique olhando para mim.

- Se gostei, eu amei! Nunca pensei que me fosses trazer a Benagil, isto é incrível!

Já tinha visto várias fotografias destas grutas, são lindas, assustam um pouco tendo em conta o risco de derrocada, mas nada consegue medir o que eu estou a sentir neste momento.

Ainda estamos dentro do barco insuflável, mas aproximamo-nos cada vez mais da areia. O turismo aqui é bastante forte, para além das pessoas que vêm como nós, em barcos pessoais, há também excursões feitas com guias turísticos. Sinto-me na ilha Mako da série H2O, tenho a certeza de que ele sabe disso.

Saímos do barco e sentamo-nos na areia, mesmo de baixo do enorme buraco, que deixa os raios de sol entrarem e iluminarem a gruta. Passamos lá algum tempo sem dizer uma única palavra, apenas olhávamos ao nosso redor, penso que ele também está deslumbrado com tudo isto.

- Queres ir à água? - perguntou-me o Henrique levantando-se.

- Hmm, sim pode ser!

Fomos para a água e agora posso confirmar alguns dos comentários que vi sobre estas grutas, a água é verdadeiramente gelada, contudo, com o calor que está fora dela, sabe sempre bem.

- Já estou perdoado? - perguntou-me o Henrique aproximando-se de mim.

- Talvez seja melhor perguntares-me isso num sítio onde eu tenha pé, não quero correr o risco de ser afogada. - disse eu rindo-me.

- Não seja por isso... - iniciou ele enquanto me pegava ao colo. Esqueci-me completamente de que ele é muito mais alto do que eu. Enrolando as minhas pernas em volta do seu tronco voltou a perguntar:

- E agora, já estou perdoado? - sorriu.

O meu coração acelerou por estar no seu colo, não entendo porquê que as hormonas adolescentes são tão, nem sei que palavra usar.

- Alice, estás a tremer!

- Quem eu? Não, é só impressão tua.

- Tu estás?...

- Eu não, achas mesmo, claro que não!

- Eu ia perguntar se estavas com frio Alice. - sorriu ele envergonhado.

Muito provavelmente percebeu porquê tanta hesitação da minha parte, eu sou tão parva, às vezes esqueço-me de que ele é mais velho do que eu e deve ter muita mais experiência do que eu nesses assuntos.

Estou completamente envergonhada com esta situação, mas não sou capaz de deixar o seu colo. Os nossos corpos foram aproximando-se e o seu nariz acabou por tocar no meu.

- Henrique...

Beijamo-nos. Sentia tanta falta do sabor dos seus lábios, o calor do seu corpo, o seu toque, sentia a falta do meu namorado. Parecia que já não nos víamos há anos, a forma como nos abraçávamos, como eu lhe tocava no cabelo molhado, como ele beijava o meu pescoço. Não posso negar aquela sensação que sinto lá em baixo, é estranho, nunca me senti assim, toda esta adrenalina que me percorre o corpo desde a ponta dos cabelos até aos pés é incrível, toda esta vontade que tenho de o agarrar, de nunca mais o largar, vontade de não sair mais do seu colo onde me sinto totalmente protegida. Mas para além de sentir tudo isto, ainda sinto algo que tenho a certeza que não é meu.

Parei o beijo e olhei-o nos olhos, aqueles olhos que outrora eram verdes estavam agora azuis.

- Tu estás?...

- Eu, eu acho que sim Alice.

- Mas...

- Desculpa, é só que não é propriamente fácil de controlar!

Sorri e beijei-o novamente, porém, desta vez desci do seu colo e agarrei-me ao seu pescoço.

- Tu não tens noção do que me fazes querer fazer contigo Alice, não podes fazer uma coisa dessas!

- Mas eu não fiz nada... - respondi eu. A forma como ele diz que eu o excito deixa-me completamente sem palavras, nunca nada igual me tinha acontecido. Sou bastante nova para tudo isto, pelo menos era o que eu pensava até o ter conhecido.

- Tu apareceste na minha frente e isso basta!

- Para Henrique.

- Eu não fiz nada! Só disse que me deixas completamente louco.

- Para! - ordenei sorrindo.

- Nunca ninguém te disse isto, pois não Alice!? - perguntou ele levantando a minha cabeça levemente pelo meu queixo.

Era mais do que óbvio que toda aquela situação era nova para mim. Estar dentro de água com o meu namorado, enquanto nos beijamos fervorosamente, ao som das ondas, no que considero ser um dos meus lugares favoritos de todo o mundo e com o pequeno pormenor de estarmos a ser observados por centenas de pessoas que entram e saem da gruta.

Acenei negativamente com a cabeça e baixei a cara.

- Então isso quer dizer que eu sou o primeiro?...

- Sim.

- Eu amo-te tanto miúda! - disse o Henrique beijando-me logo em seguida.

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