Capítulo 32

O aniversário da Alice é daqui a umas horas. Estou deitado na minha cama e dou por mim a quase planear o dia de amanhã. São agora 23:45 horas, mas o sono não está a colaborar, talvez seja pelo facto de estar ansioso, ou até mesmo nervoso, confesso. Não sei como é que ela vai reagir, se quererá vir comigo nesta viagem, não é um local muito longe, porém, duas horas e quarenta e dois minutos de carro, ainda leva algum tempo. Okay, talvez tenha planeado mais do que aquilo que eu esperava, são as influências da Alice.

O sono chegou e a noite estrelada de verão, deu lugar ao dia luminoso que se faz notar pelas frestas das persianas brancas no meu quarto. São neste momento 07:30 horas da manhã e o despertador acabou de tocar, porém, já estou acordado à algum tempo, o entusiasmo não me deixava dormir.

Levantei-me e escolhi a minha roupa, uns calções de banho azuis marinhos e uma T-shirt branca da ralph lauren, com o logótipo em azul. Não me posso esquecer de lhe pedir para colocar o bikini, caso contrário, não poderemos visitar o sítio que eu quero sem que ela molhe a roupa que traz no corpo.

O Tiago ainda está a dormir no colchão junto à minha cama, no início a minha mãe pediu para que dormíssemos juntos, porém, depois do que aconteceu, na manhã em que ele chegou, isso seria impossível.

- Faz pouco barulho, quero dormir! - pediu ele, ainda sonolento.

Eu nem respondi, apenas revirei os olhos e passei por cima do seu corpo imóvel para me afastar do guarda roupa e poder vestir-me. Não me posso demorar, se quero aproveitar bem o dia preciso de sair daqui a uns minutos de casa.

Desci as escadas e peguei numa banana, sei que deveria tomar um pequeno almoço melhor, tendo em conta que ainda vou conduzir durante algum tempo, mas não me posso atrasar, ela tem de perceber que eu sou uma pessoa melhor do que aquilo que tenho demonstrado ser, te de ser tudo perfeito.

Fui até à garagem, onde o meu carro está estacionado, dei uma última vista de olhos, para ter a certeza de que tenho tudo pronto e saí em direção à casa da Alice. Estacionei à sua porta e fui aproximando-me, sinto as minhas mãos a ficarem cada vez mais frias e suadas, não entendo bem as reações do meu corpo, elas têm-me surpreendido bastante neste último mês, cada momento com a Alice mostra-me que posso reagir de uma forma que nem sabia que seria capaz, a minha vida deu uma reviravolta depois de a conhecer.

Toquei à campainha e não demorou muito até que o senhor Daniel me atender.

- Bom dia Henrique! Então, o que te traz por cá!? - perguntou-me ele enquanto abria a porta para que eu pudesse entrar.

- Bom dia doutor, vim buscar a sua filha, tenho uma surpresa para ela.

- A Inês?

- Não, a Alice! - respondi eu enquanto me sentava no sofá de pele branco.

- Estás com pouca sorte, a Alice ainda está no quarto, provavelmente ainda a dormir...

- Será que eu podia lá ir acordá-la?

- Hmmm, não vejo porque não, vai lá, o quarto dela é o que fica do lado esquerdo das escadas, junto à casa de banho.

Eu sei perfeitamente onde é o quarto da Alice, mas não ia dizer isso ao seu pai, não quero que tenha uma ideia errada a meu respeito, tendo em conta a minha idade comparada com a da sua filha. Apesar de que são só três anos, eu não sei como é que é a mentalidade do doutor Daniel, portanto, prefiro não arriscar.

Agradeci-lhe a informação e subi as escadas, assim que cheguei ao topo, dei de caras com a Inês, ainda de pijama, uns calções bem curtos amarelos e um top de alças da mesma cor, saindo do seu quarto.

- Henrique!? O que estás aqui a fazer? - perguntou-me ela.

- Vim ter com a tua irmã! - respondi eu num tom baixo para não correr o risco de ser ouvido pela Alice.

- Claro que vieste, já estava à espera disso... ela pode continuar a pôr-te de lado, que tu vais continuar como um cãozinho atrás da dona.

- Cala a boca Inês!

- És mesmo tapado Henrique, quando é que vais entender que ela não gosta de ti...

- E tu quando é que vais entender que a tua opinião não contribui em nada para a minha vida!? Cresce miúda! - exclamei eu virando-lhe as costas e seguindo para o quarto da sua irmã.

Dei três pequenas batidas na porta, mas não obtive resposta, por isso, entrei lentamente e posso dizer, com certeza, de que foi das melhores decisões da minha vida. Assim que fechei a porta atrás de mim, aproximei-me da sua cama, onde ela estava deitada num sono profundo, parecia um anjo, o seu cabelo, agora ondulado, estava pousado por cima da almofada azul clara...

- Henrique? - disse ela ainda sonolenta. Os seus olhos abriam lentamente à medida que ia despertando e me via sentado na cadeira da sua secretária.

- Bom dia! - respondi eu oferecendo-lhe o meu melhor sorriso.

- O que é que estás aqui a fazer!? - perguntou-me ela enquanto se sentava na cama com as costas encostadas na cabeceira. Mal se apercebeu de que a parte de cima do seu pijama estava à mostra, tapou-se imediatamente com os lençóis brancos, mas foi tarde de mais, eu já tinha reparado que estava sem o seu sutiã.

- Henrique! - chamou-me ela de novo. Penso que fiquei demasiado tempo a olhar para o seu corpo e não lhe respondi à pergunta que me fez.

- Anh, sim? - tentei disfarçar.

- O que estás aqui a fazer?

- Eu vim buscar-te, temos de ir a um sítio!

- Temos? Nós não combinamos nada, aliás, tu já tinhas planos com os teus amigos...

- Não temos tempo para explicações, vá, vai te vestir e não te esqueças de vestir um bikini...

- Um bikini!? Porquê? - parecia confusa, mas não posso revelar muito mais.

- Depois vês, agora, por favor, vai te vestir! - pedia eu, ainda sentado na sua cadeira.

Ela levantou-se da cama rapidamente e dirigiu-se ao guarda roupa, não consegui tirar os olhos dela em momento algum, aquela rapariga é perfeita e parece que me deixa hipnotizado a cada passo que dá.

Vi que escolheu um vestido azul bebé, não era algo com o qual eu estava acostumado, mas não era feio, tenho a certeza de que no corpo dela vai ficar perfeito.

- Ahn, um pouco de privacidade, por favor... - pediu-me ela.

- Ah sim, pois, eu posso sair se quiseres...

- Hum, sim, talvez seja melhor saíres...

- Não posso mesmo ficar aqui? Eu prometo que não olho! - disse eu. A minha vontade de ver o seu corpo é enorme, mas sei que ela nunca iria deixar, talvez se eu prometer não olhar ela me deixe cá ficar, mesmo que não possa vê-la sei que já tem mais confiança em mim para se trocar ao meu lado.

- É melhor não Henrique... - esqueçam os meus pensamentos anteriores!

- Tudo bem, eu saio então... - respondi tristemente. Também não quero parecer demasiado desesperado, mas aquilo que eu sinto por ela é demasiado forte e eu não consigo disfarçar os meus anseios.

- Eu não me demoro. - disse ela enquanto eu saía.

Permaneci sentado num cadeirão, que têm no canto do corredor, junto a um vitral que ocupa a parede toda em altura.

Ela não demorou muito até me chamar de novo para entrar no seu quarto. Quando voltei a entrar, ela estava sentada numa espécie de secretária que tem um espelho com luzes, a única vez que vi algo assim, foi num filme todo lamechas que vi com a minha ex-namorada, já nem me lembro do nome do filme. Ela estava a pentear o cabelo e a perfumar-se, o seu cheiro era delicioso, doce, mas não muito forte, assim como ela. No fim de estar completamente arranjada, ela levantou-se e virou-se para mim, o seu rosto parecia implorar por uma opinião, porém, o meu corpo estava demasiado atento a cada pormenor do seu para conseguir sequer processar uma simples palavra.

- Estou bem assim? - perguntou-me ela afastando-me do meu estado de transe. Devo parecer um parvo a olhar para ela neste momento.

- Estás perfeita! - foram as únicas palavras que consegui dizer.

Ela sorriu e aproximou-se de uma prateleira onde tinha algumas malas, escolheu uma pequena branca e prateada que combinava perfeitamente com o vestido que estava a usar e com as suas all stars brancas e azuis.

- Estás pronta!? - perguntei eu ainda junto à porta.

- Sim, tenho um bikini vestido, a minha mala com a carteira e o telemóvel, penso que só me faltam as chaves e saber onde vamos...

- Bom, as chaves são fáceis de arranjar, agora onde vamos, ainda vais ter de esperar um pouco para descobrir.

- Aiii! - reclamava ela enquanto saíamos do seu quarto.

Mal descemos as escadas, o doutor Daniel aproximou-se de nós e perguntou:

- Então, onde vão?

- Não sei, também gostava de saber... - respondeu a Alice olhando para mim. Sorri para ambos e expliquei ao pai dela que planeei uma surpresa para a sua filha e que gostava muito de a levar a um sítio. O senhor, que aparenta ter uns quarenta e poucos anos, sorriu e acompanhou-nos até à porta onde deu os parabéns à filha acompanhados de um doce beijo na testa.

Assim que chegamos perto do meu Mercedes branco, abri a porta para que ela pudesse entrar, quero que seja tudo perfeito, apesar de saber que ela não aprecia muito estes gestos eu quero demonstrar-lhe que posso ser como ela merece.

- Agora já me podes dizer onde vamos? - perguntou-me ela assim que acabei de colocar o cinto de segurança e liguei o carro.

- Não, ainda não!

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