Capítulo 21
HENRIQUE
- Henrique, filho acorda! O teu primo acabou de chegar, vem dar-lhe as boas vindas!
São sete da manhã, acordei com os gritos da minha mãe e com o barulho das malas do rapazinho que vai partilhar o quarto comigo. Levantei-me ainda sonolento, lavei a cara e vesti um fato de treino cinzento da Nike, não são horas de virem acordar ninguém, não me podem pedir que vista um fato e gravata para receber uma pessoa que nem sequer conheço.
-Henrique!? - gritava a dona Melany.
- Já vou! Não dá para esperar um minuto? Está alguma coisa a arder por acaso!? - gritei de volta enquanto andava pelo corredor.
Desci as escadas que davam de frente para o hall de entrada e só aí conheci o meu primo. Era mais baixo do que eu, talvez tivesse por volta de um metro e setenta, tinha o cabelo loiro e ondulado, parecia um surfista. A minha mãe estava contente por ter conhecido finalmente o sobrinho, mas não demonstrava o suficiente, talvez pelo facto de ter cortado relações com a mãe do miúdo.
- Olá, então, tu é que és o meu primo!? - perguntei esticando-lhe a mão para o cumprimentar.
- Parece que sim, chamo-me Tiago! - respondeu-me ele retribuindo o cumprimento de mão. Pareceu-me simpático.
- Olá Tiago, eu sou o Henrique!
ALICE
Acordei por volta das sete e meia da manhã, os pesadelos estavam a dar cabo de mim, já não aguentava ver a minha irmã a atirar-me tudo à cara, estava farta de vê-la afastar-se de mim. Somos irmãs, sempre estivemos juntas, sempre compartilhamos todos os momentos, não vou, nem posso deixar que um rapaz destrua a minha família, não posso fazê-lo. Por muito que ame o Henrique, que amo, eu não posso continuar com a relação e ver a minha irmã no estado em que está.
Preciso de ir falar com ele, tenho de ir a sua casa, não vou simplesmente esconder-me no meu quarto, como fiz da outra vez, isso não é justo para ele, nem para mim.
Levantei-me da cama e fui até ao guarda roupa, preciso de uma roupa confortável, depois da noite passada eu não consigo vestir nada extravagante nem justo. Escolho umas mom jeans, e um crop top branco. Não quero que os meus peitos sejam notados, sou magra, mas não sou como a maioria das raparigas magras, pois tanto eu como a Inês, fomos presenteadas com uns seios médios. Não me queixo, até gosto, o problema é mesmo arranjar roupa que não me fique nem demasiado justa nem demasiado larga!
Tomei um duche, vesti-me e desci para tomar o pequeno almoço. A Inês ainda não saiu do quarto, quando passei pela sua porta ouvi o som da televisão, mas não tive coragem para entrar.
Peguei num iogurte líquido, com o sabor a morango e bebi-o, não tenho muita fome, mas sei que devo comer sempre alguma coisa de manhã. Peguei nas chaves que estavam em cima do aparador do hall de entrada e saí em direção à casa do Henrique.
Durante o banho pensei no que ia dizer e como o ia dizer, só espero que corra tudo como planeado, coisa que com o Henrique é difícil. Ele detesta que eu planeie coisas e nunca cede nessas situações. Para o meu namorado, as coisas são muito melhores quando não são planeadas, são mais sentidas, mais vividas. Eu não concordo.
Percorri o jardim que tem na entrada e toquei à campainha. Do lado de dentro da casa oiço a voz da dona Melany a perguntar quem era.
- Sou eu Dona Melany, a Alice!
A porta abriu-se e a mulher toda maquilhada e de cabelo preto sorriu para mim, abrindo ainda mais a porta para que eu pudesse entrar. Estava vestida com uma bata branca, talvez vá sair para trabalhar agora mesmo.
- Querida o Henrique está no quarto dele com um primo que acabou de chegar, vai passar cá uns dias.
- Oh, eu posso ir-me embora então, não tem problema, volto mais tarde!
- Alice!?
Eu conheço esta voz, esta voz doce e calma que chama pelo meu nome, estou de costas para a escadaria o que faz com que não veja quem é. Viro-me lentamente e lá está ele, em pé com a mão no corrimão.
Assim que reparo já estamos abraçados, sinto o seu cheiro novamente, é o meu perfume favorito, quer dizer era, agora é o do Henrique.
- Alice como estás!? Tinha tantas saudades tuas! - dizia-me ele enquanto me abraçava.
Estou sem reação, imóvel, não sei o que dizer nem fazer. Olho para o Henrique que ainda está no topo das escadas a olhar para nós. Vejo nos seus olhos que acaba de perceber tudo o que se está a passar. Como é que é possível, quanta coincidência?
O Tiago soltou-me do seu abraço e o Henrique iniciou a sua descida até nós.
- Então esta é que é a tua namorada primo!? - perguntou o Henrique ao Tiago.