Capítulo 20

INÊS

- Amélia espera, vou lá dentro buscar sumo de melancia, aposto que vão adorar! - disse eu para a minha nova amiga.

- Okay, traz para a piscina, estamos à tua espera! - respondeu-me ela.

A festa tinha começado no fim do almoço, pouco tempo depois da Alice ter saído de casa e do Henrique ter ligado. Não faço ideia de onde foi, mas ela tinha dito que queria estar na festa. Será que se encontraram? Espero que não.

O sumo de melancia está em cima do balcão da cozinha, preparei-o antes dos convidados chegarem. Oiço a porta abrir-se lentamente deve ser ela a chegar, finalmente, mas bom, preciso de levar as bebidas lá para fora antes que o gelo derreta todo.

- Anda Inês, a água está ótima, salta! - gritou o João. Ele é incrível, foi a primeira pessoa que falou comigo assim que entrei na escola, disse-me que também era novo e estava lá para prestar as audições assim como eu, apoiou-me sempre e quando soubemos os resultados ele foi o primeiro a quem eu disse que tinha entrado.

- Já vou, não querem beber!?

- Olha, está ali a Alice! - disse a Amélia.

Olhei para trás para ver a minha irmã e dei de caras com uma das piores coisas que podia ter visto. Lá estavam eles, juntos, de mãos dadas e a aproximarem-se de mim. Como é que ela foi capaz de me fazer isto, mais uma vez, ela consegue sempre aquilo que quer, tudo aquilo que eu mais pedi foi para que não ficasse com o Henrique, mas o que foi que ela fez!? Ficou com ele! Roubou-mo!

Não sou capaz de ficar aqui e assistir a esta cena, ver o rapaz de quem eu gosto ficar com a minha irmã gémea. O que é que ela tem que eu não tenho? Somos iguais, idênticas, eu sou muito melhor do que ela, sou mais animada, mais simpática, mais extrovertida. Eu não entendo porquê que ele a escolheu a ela.

- Olá Inês, podemos juntar-nos à festa!? - perguntou-me o Henrique com um sorriso no rosto.

Não lhe consigo responder, a única coisa que me apetece fazer neste momento é atirar-me para cima dos cabelos da minha irmã e arrancá-los um por um.

- Como é que foste capaz Alice!? - perguntei eu encarando-a.

- Como é que eu fui capaz de fazer o quê? - respondeu-me ela. Não sei se está a falar a sério, ou simplesmente a brincar com a minha cara, ela tem sempre aquela cara de santinha, mas no fim consegue estragar-me sempre a vida.

- Como é que foste capaz de me roubar o Henrique!

- Ela não me roubou de ninguém Inês, muito menos de ti! Depois de tudo o que fizeste ainda achas que tens razão para armar um escândalo? - respondeu-me ele agarrando a minha irmã pela cintura. Irmã, nem sei se a posso chamar assim, as irmãs não fazem isto uma à outra.

- Eu não fiz nada! - gritei.

- Tu fizeste-te passar pela tua irmã, fizeste-me acreditar de que eras a Alice, só para conseguires entrar em minha casa, jantar com a minha família. Enganaste toda a gente e para quê? Por um beijo!? Era isso que querias!?

- Eu...

- Tu sabias que eu gostava da tua irmã, por isso é que te fizeste passar por ela, tu sabias que nunca ias ter hipóteses comigo! Esquece Inês, nós sabemos de toda a verdade e sabes porquê!? Porque tu és burra Inês, muito burra! Nunca conseguirás ser igual à Alice!

As lágrimas corriam pelo meu rosto a uma velocidade que eu já nem tinha noção, nunca pensei ouvir aquelas palavras da boca do Henrique, não sei como é que ele consegue falar assim para mim. A sua voz parecia ecoar na minha cabeça. Eu gosto mesmo dele, desde o primeiro dia em que o vi, ele é tão bonito.

Olhei novamente para a minha irmã que continuava nos braços do novo namorado de cabeça baixa, não sou capaz de continuar aqui. Saí do jardim a correr em direção ao meu quarto, esqueci-me completamente de que tinha convidados em casa, convidados esses que acabaram de assistir a tudo isto. Que vergonha, como é que vou ser capaz de aparecer na escola agora, de certeza que vou ser gozada por todos.

Tranquei a porta do meu quarto e coloquei uns fones nos ouvidos, só me apetece morrer.

ALICE

- Henrique, eu acho que foste longe de mais, viste como é que ela saiu daqui!?

- Alice ela precisava de ouvir isto, depois de tudo o que ela nos fez, principalmente a ti, ela tinha de levar uma lição!

- Ela é minha irmã, eu não consigo vê-la assim, mas depois disto, duvido que voltemos a falar.

Encostei a minha cabeça no seu ombro, estou completamente exausta. Assim que olho para a frente vejo que todos os convidados da festa continuam ali, especados a olharem para mim.

- Vá pessoal, a festa acabou, todos embora! - disse o Henrique.

Todos saíram após as suas palavras, penso que os que estavam na piscina nem se secaram, estavam em choque, assim como eu.

Recebi uma mensagem do meu pai, algum tempo depois, que dizia que ele ia ficar a fazer plantão novamente, o que quer dizer que não vinha dormir a casa.

Arrumei a bagunça que a festa causou com a ajuda do Henrique e de seguida ele foi para casa. Não conseguia pensar em mais nada a não ser na minha cama e na minha almofada naquele momento. Este foi um dos melhores dias da minha vida, mas ao mesmo tempo dos piores também, nunca pensei que a reação da minha irmã fosse tão extrema, não tinha ideia do quanto ela gostava dele.

Subi a escadaria que me levavam até ao quarto, entrei, tirei a roupa ficando apenas de cuecas e T-shirt e deitei-me na cama. Não consegui esperar pelo sono, foi como se sofresse um ataque vindo da sua parte, adormeci em instantes.

Os meus sonhos nessa noite foram controversos, sonhei com o Henrique e o oceanário, mas logo de seguida, via a Inês dentro do gigantesco aquário a chorar perdidamente e rodeada por tubarões. Tentei gritar e tirá-la de lá, mas tudo em vão, nada a fazia sair dali e tudo porque eu estava agarrada à mão do meu namorado.

Eu não posso ficar com o Henrique!

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