Capítulo 16

TIAGO

- Mãe eu preciso de ir, eu não posso esperar mais tempo, já se passaram duas semanas e a Alice disse-me ontem que ainda estava apaixonada por mim, eu gosto mesmo dela mãe, já somos amigos há muito tempo e eu também estou apaixonado por ela! Mãe eu tenho de ir a Lisboa!

- Filho, mas onde vais ficar se lá fores?

- Eu posso ficar na casa da tia...

- Não, nem pensar, na casa da tua tia não Tiago!

- Mas porquê? Vocês não acham que já está na altura de resolverem os vossos problemas?

- Tiago eu não falo para a tua tia há anos, não é agora que vou começar a falar!

- Mas vocês são irmãs, mãe eu não consigo ficar um dia inteiro sem falar para o parvo do Afonso! Como é que vocês conseguem passar anos sem se falarem!?

- Tiago são assuntos nossos, não te metas filho!

- Então se não falas tu, falo eu! Eu vou passar o fim de semana a Lisboa e vou para casa da tia! Eu só preciso de estar perto da pessoa de quem eu gosto mãe, nem que seja apenas por dois dias.

- Faz como quiseres, mas eu não vou falar com a minha irmã!

HENRIQUE

Já se passaram duas semanas, duas semanas e resposta nenhuma da Alice, eu já nem sei o que pensar, não tenho ido a casa dela, não a quero pressionar. Ficamos sem resolver o problema da Inês, talvez seja melhor esquecer o que aconteceu.

Descobri uma maneira de saber com qual delas é que estou a falar. Quando beijei a Alice, reparei que ela tinha um sinal nos lábios, sinal esse que a Inês não tem.

Soube ontem de que a Inês foi aceite na escola de artes performativas, o doutor Daniel contou à minha mãe. Penso que ela hoje vai fazer uma festa na piscina para comemorar, já deve ter conhecido algumas pessoas nas audições para entrar na escola.

Será que a Alice vai estar na festa também? Será que elas já falam uma com a outra?

- Henrique! - chamou-me a minha mãe do andar de baixo.

- Já vou descer! - levantei-me da secretária, onde tentava descobrir qual era a cantora favorita da Alice, sem sucesso, e desloquei-me à sala de estar para falar com a minha mãe.

- Henrique, o primo vem passar cá o fim de semana!

- Que primo!? - eu não sei mesmo de que primo é que ela está a falar, eu não conheço os meus primos, sei que os tenho, mas não os conheço.

- O filho mais novo da tia Tânia.

- Da tia Tânia!? Mãe, mas tu já não falas com ela há séculos, eu nem conheço esse tal primo.

- Pois, parece que o vais conhecer amanhã!

- Amanhã!? - não é que eu me importe muito de ter cá uma pessoa, mas assim, sem mais nem menos? - Ele disse porquê que cá vinha? - perguntei à minha mãe.

- Disse que vinha visitar uma amiga.

- Ah bom. Vou ter de levar com ele e com a amiga! Quantos anos é que ele tem!?

- Filho eu não sei ao certo, mas acho que deve ter quinze ou dezasseis, não sei bem, foi mais ou menos depois de a tua tia o ter que cortamos relações.

- Um puto, basicamente...

- Henrique, nunca pensei que te importasses assim com a idade, pelo que ouvi dizer, a Alice também tem quinze anos...

- Mas vai fazer dezasseis em menos de um mês!

- E então, não muda muita coisa!

- Okay, desde que ele não seja um crominho tudo bem, vai ficar no meu quarto certo?

- Claro, querias que ficasse onde? Com a Megui?

- Olha que se for muito chato é para lá que vai! - expressei um sorriso sínico. Não estou com muita paciência para aturar pessoas neste momento, a única que eu queria estar a aturar não me diz nada à duas semanas, esta situação está a tornar-se insuportável.

Voltei para o meu quarto, vou tentar ligar-lhe mais uma vez, pode ser que me atenda agora!

*tu... tu...tu...

- Estou!?

- Alice, Alice és tu?

- Talvez...

- Inês, por amor de Deus ainda não entendeste que eu não te vou voltar a confundir com a tua irmã!?

- Anh? Confundir-me com a minha irmã!? - será que a Alice ainda não falou com ela, o que será que se passa?

- Inês eu já sei de tudo, sei que foste tu quem esteve em minha casa na noite do jantar, eu até posso ser muito parvo, mas eu passei a noite toda a dizer-te que estavas estranha que não me parecias a Alice, a minha Alice!

- A tua Alice!? Porquê vocês estão juntos é? - apetece-me dizer-lhe que sim, mas estaria a mentir e por muito que eu quisesse que fosse verdade, ainda não é.

- E se estivermos? Vais fazer-te passar por ela de novo só para me beijar!? - estou a ser muito agressivo, é verdade, mas ela merece!

- Olha Henrique a minha irmã saiu, não sei para onde é que ela foi, mas o telemóvel dela ficou aqui na sala, se quiseres falar com ela tenta mais tarde, eu tenho mais coisas para fazer para além de falar contigo, por isso tchau!

- Tchau! - atirei o telemóvel para a cama.

Qual é o problema desta miúda, porquê que não se mete na sua vida e deixa a da irmã em paz, eu já conheci muitas raparigas, mas tão irritante e carente como esta, nunca.

Vou ter treino de futebol daqui a pouco, preciso de preparar o saco. O António, o meu melhor amigo, ligou-me ainda agora a pedir-me que o fosse buscar a casa. Desde que tenho carta de condução devo ter cara de uber ou algo parecido.

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