Capítulo 15
- Henrique, Henrique onde estás!? - gritava eu enquanto entrava em cada porta que via. Para onde terá ido aquele convencido? Ai, que nervos!
- Henrique chega de brincadeiras, precisamos de resolver o problema da Inês!
- Precisamos Alice!? - ouvi a sua voz ao longe, não consigo decifrar onde está.
- Onde estás!? Para com isso, detesto jogar às escondidas! - continuava a percorrer a casa dele, até que entrei num quarto.
Esta habitação deve ser a maior de toda a casa, um quarto simples, mas ao mesmo tempo com um toque a pessoa rica. Uma cama enorme, ocupa o centro da divisão, acompanhada, pelas laterais, de duas mesas de cabeceira, um tapetão cinzento preenche o soalho e tal como o quarto do Henrique este também tem uma varanda. Para além do que é normal ter num quarto este também é dotado de um closet com um toucador, uma casa de banho e um guarda roupa enorme, talvez seja o do pai dele.
Em cima da mesa de cabeceira, do lado direito, estava a fotografia de uma mulher, tinha cabelos pretos, olhos azuis e usava bastante maquilhagem. Esta cara não me é estranha, mas não estou a ver com quem é que é parecida.
- Alice o que estás a fazer no quarto dos meus pais!?
- Desculpa, é que entrei para ver se estavas cá e acabei por me perder com o quarto.
- Deixa-me tentar acertar desta vez... disseste "Uau" assim que entraste no quarto!
- Lamento dececionar-te novamente, mas voltaste a falhar. Ups! - estou com a fotografia da pessoa que penso ser a mãe do Henrique na mão, mas decido pousá-la imediatamente, antes de ele começar a fazer perguntas.
- Então, vamos tratar do problema da gémea falsa? - ia retorquir à afirmação dele dizendo que não devia falar assim da minha irmã, mas foi isso que ela fez, foi a gémea falsa durante uma noite.
Assenti com a cabeça que sim e ele levou-me até ao jardim das traseiras. A casa do Henrique é exatamente igual à minha, excluindo o facto de as divisões serem um pouco diferentes, mas exteriormente são iguais. Assim como eu, ele tem uma piscina enorme e à sua volta um jardim. Sentamo-nos na rede que ele tem junto à piscina e ficamos durante algum tempo a pensar.
- O dia está quente! - exclamou o Henrique passando a mão na testa.
- Sim, é verdade, mas eu já estou habituada!
- Ah, pois é, por momentos esqueci-me de que tenho uma lady algarvia sentada ao meu lado...
- Não me voltes a chamar isso!
- O quê? Lady?
- Sim Henrique, agora já chega! - ele está a começar a irritar-me de novo.
- Peço desculpa lady, prometo que não volto a chamá-la de lady nunca mais... Lady!
Sem pensar levantei-me da rede e comecei a correr atrás dele, parecemos duas crianças a jogar às apanhadas, até que tropecei na beirada da piscina e caí dentro de água, levando-o comigo, pois naquele momento agarrei na sua T-shirt.
- Alice! - disse ele enquanto me puxava até à superfície.
Ri-me imenso, achei muita piada a toda aquela situação e ao facto de ele ter medo de que eu me afogasse.
- Estás a rir-te parva!? Atiras-me à água, salvo-te a vida e ainda te ris?
Eu não consegui parar de me rir naquele momento, mas, assim que dei por mim, estamos os dois abraçados um ao outro, as minhas pernas entrelaçadas sobre a sua cintura e os meus braços em volta do seu pescoço. O silêncio tomou conta do momento.
HENRIQUE
Tenho a Alice no meu colo e não faço ideia do que fazer. Quando estávamos no meu quarto senti que aquele era o momento de finalmente me declarar a ela, talvez não estivesse no melhor traje para isso, mas estávamos num bom caminho e depois aquele filho da mãe tinha de ligar! Mas agora, agora não há nada que me impeça de a beijar, estamos os dois dentro de água, encharcados, vejo as gotas de água escorrerem lentamente pelo seu rosto.
Estamos demasiado próximos, isto só pode ser um sinal, tem de ser!
- Henrique... - sussurrou ela.
- Sim?
- O que está a acontecer?
- Não sei, mas não me posso queixar!
- Mas Hen...
Beijei-a, finalmente consegui sentir o sabor dos seus lábios, que por acaso são muito diferentes dos da sua irmã. O meu coração parece que vai sair do corpo, nunca me senti assim. Esta foi a primeira vez que precisei de lutar por alguém para obter um simples beijo. Ela é tão bonita, tão serena. O seu corpo juntasse mais ao meu, só espero que não apareça algo inesperado!
Os nossos rostos afastaram-se algum tempo depois.
- O que foi isto Henrique? - perguntou ela enquanto saiu do meu colo, estávamos na parte funda da piscina, bem pelo menos fundo para ela, eu tenho pé aqui.
- Eu, eu não sei Alice!
- Como não sabes, tu beijaste-me!
- Sim ...
- Então... - ela está a tentar manter-se à superfície, as suas pernas não param de se mexer debaixo de água.
- Alice anda, eu levo-te para a parte mais baixa!
- Eu consigo ir sozinha! - sempre teimosa, mesmo depois do que aconteceu.
Já sentados nas escadas da piscina, tinha de lhe dizer, precisava de me declarar a ela, não podia deixar passar mais um minuto da minha vida sem que ela soubesse o que sinto.
- Alice, eu preciso de te dizer uma coisa...
- Diz então!
- Eu, é que eu... - anda lá Henrique, isto nunca te aconteceu, nunca gaguejaste para dizer a uma rapariga que gostavas dela... Talvez porque nunca tenhas gostado de ninguém de verdade!
- Eu estou completamente apaixonado por ti Alice!
- Não, isso não é verdade, tu estás a gozar comigo, mas já conseguiste o que querias certo? Então eu vou-me embora!
- Não Alice, tu não estás a entender, eu gosto mesmo de ti! É verdade! - segurei na sua mão, talvez esteja a ser demasiado romântico, mas a verdade é que ela é uma menina de quinze anos e eu não sei como é que a cabeça dela funciona, mas quero entender. - Alice, eu tenho passado os meus dias a pensar em ti, eu acordo a pensar em ti, adormeço com o teu nome na minha mente, tu simplesmente não me sais da cabeça. Desde o dia em que chegaste ao condomínio, eu senti que tinha de ir falar contigo, mas aí descobri que não eras como as outras raparigas, tu não ficaste ali, pouco falaste comigo e foi isso que me deu pica para ir atrás de ti! No início era só mesmo para te irritar e eu sabia que conseguia fazer isso, mas depois, tu mostras-te ser uma pessoa diferente de todas as outras que eu já conheci. Quando a tua irmã teve cá ontem, eu senti que algo estava errado, que aquela não era a Alice que eu conheci, mas eu sou burro! Desculpa!
- Não tens de pedir desculpa, a culpa foi toda da Inês!
- Sim eu sei, mas deixa-me continuar! - ela olhava para mim e eu reparei que estava a ficar corada, parece que está a correr bem. - Hoje, quando estávamos no meu quarto, eu senti o teu coração acelerar, eu vi a forma como reagiste assim que me aproximei de ti. Mas quando ele te ligou, quando ele te ligou eu senti uma raiva tão grande! Eu sei que ele ainda gosta de ti, é impossível não gostar, mas eu precisava de saber o que tu sentias, mas aí tu disseste-me que ainda gostavas dele. Porém, eu não sou assim tão burro como pareço e sei que de todas as vezes que mentes, piscas os olhos várias vezes, e foi isso que fizeste quando disseste que ainda sentias algo por esse tal Tiago! Na noite em que fui sair com a Inês, nessa noite quando chegamos, eu reparei que estavas no terraço a pintar e eu sei que também reparaste em mim, mesmo não sabendo que era eu. Fiquei a observar-te até ires para dentro. Caramba Alice o que é que eu preciso fazer mais para tu perceberes que eu gosto mesmo de ti!?
- Henrique, mas eu sou muito mais nova do que tu!
- Alice, são apenas três anos, não é assim tanta diferença...
- Mas na nossa idade, um simples ano faz diferença, tu já és adulto, eu não!
- Por favor Alice, não vamos ligar à porcaria da idade, há casais com dez anos de diferença um do outro e isso não os impede de serem felizes juntos!
- Henrique, mas tu já tiveste tantas namoradas, como é que eu posso ter a certeza de que comigo vai ser diferente?
- Tu és diferente Alice, eu nunca tive de lutar por ninguém, as raparigas simplesmente apareciam e pronto, mas contigo não foi assim... tu fizeste-me ver que só sabemos que gostamos realmente de alguém quando temos a necessidade de ver a pessoa, nem que seja ao longe, por um telescópio, mas precisamos de a ver.
- Eu, eu não sei o que dizer Henrique!
- Diz que também gostas de mim, diz que queres ser minha namorada!
- Mas tu não sabes o que é namorar com alguém e a única relação que eu tive durou apenas três meses...
- Então vamos descobrir juntos! Eu prometo que nunca te vou magoar!
- Isso não é verdade Henrique, é obvio que me vais magoar, assim como eu te vou magoar a ti, mas isso faz parte de um relacionamento onde as pessoas se amam...
- Então isso quer dizer que aceitas? Que me amas?
- Eu... eu acho que é melhor dormirmos sobre o assunto. Podemos estar a precipitar-nos e isto pode não ser o mais correto a fazer.
- Okay, mas antes de pensares melhor sobre o assunto, eu tenho uma pergunta para te fazer.
- E qual é essa pergunta?
- Ainda gostas do Tiago?
- Não, eu menti! - um sorriso apareceu-me no rosto de repente.