Capítulo 12

- Não sabia que conhecias este lugar!

- Não sabia que costumavas vir para cá, se soubesse nem me tinha aproximado!

- Alice, nós precisamos de falar! - ele olhava para mim fixamente, aqueles olhos castanhos pareciam desorientados. O que será que aconteceu para que o rapaz mais convencido de todo o universo esteja agora à minha frente a agir como uma pessoa preocupada e com medo.

- Precisamos Henrique? Eu acho que depois do que aconteceu ontem nós não temos mais nada para falar!

- Como assim, não temos mais nada para falar Alice? Depois daquilo eu fiquei sem saber o que fazer, pensar, eu não entendi o que aconteceu! - este rapaz enerva-me, muito sinceramente, como é que é possível que ele diga aquelas coisas horríveis a respeito da minha irmã e depois diz que não entende o que aconteceu?

- O que há para entender? Tu afirmas-te que a minha irmã era uma criança de quinze anos... não sei se sabes, mas somos gémeas e o que dizes relativamente a uma pode assemelhar-se à outra.

- Eu pensei que já tinhas esquecido isso Alice!

- Como é que queres que eu esqueça, por tua culpa a minha irmã chateou-se comigo, disse-me coisas horríveis, fez com que eu perdesse a cabeça e lhe tivesse batido inclusive.

- Peço desculpa por tudo isso, eu não queria que vocês se chateassem, alias, chatearam-se porquê? - o Henrique sentou-se ao meu lado no banco, eu não estava mesmo a entender nada do que estava a acontecer!

- Chateamo-nos porque quando eu tentei poupá-la das coisas horríveis que disseste a seu respeito, ela não estava a compreender, então decidi dizer-lhe que tu me tinhas convidado para jantar só a mim e não a ela, isso causou nela um enorme ataque de ciúmes, pois como eu já referi, ela está apaixonada por ti, depois disso ela culpou-me de te estar a tentar roubar dela, e assumiu que sempre gostou do Tiago e que eu também o roubei dela, uma grande confusão. No meio de tantos insultos saídos daquela boca eu não pensei e espetei-lhe um estalo, estalo esse que me custou um dia inteiro passado no quarto!

- Espera, como assim um dia inteiro passado no quarto? - o semblante dele parecia confuso, a sua perna começou a tremer e junto com ela os seus dentes mordiam o lábio inferior. Lá está ele com aquele tique de novo, não é que eu me importe, porque até acho bastante sexy, mas é do Henrique que estamos a falar.

- O que é que não percebeste na frase "passei o dia inteiro no quarto"?

- Não Alice, isso é impossível! - ele levantou-se e começou a andar às voltas perto da fonte.

- Não, não é impossível coisa nenhuma, eu passei o dia inteiro no meu quarto a pintar, e se estás a fazer isto só para que eu te leve lá, bem que podes tirar o cavalinho da chuva!

- Alice, tu ontem vieste jantar a minha casa!?

- Ahm não Henrique! Achas mesmo que depois de tudo eu ia a esse tal jantar?

- Pois, sinceramente não, mas o facto é que tu estiveste lá!

- Não Henrique! Eu não saí do quarto!

- Anda comigo!

Ele pegou na minha mão e levou-me, por um caminho desconhecido, até sua casa. Assim que chegamos, ele abriu a porta e gritou pela mãe. Infelizmente, esta não estava em casa e a única resposta que ele obteve foi do pai:

- Filho, a mãe saiu para trabalhar, tinha uma consulta agora, mas o que se passa?

- Pai, boa, estás em casa! - respondeu aliviado.

O pai dele saiu de uma divisão da casa e aproximou-se da porta, olhou para mim e sorriu.

- Olá Alice, então como estás? - ele sabe o meu nome?

- Bom dia, está tudo bem e com o senhor? - respondi da maneira que achei mais correta, eu nunca vi o pai do Henrique, não faço ideia de como ele sabe quem sou, será que o Henrique andou a falar de mim aos pais?

- Também muito bem, desde ontem!

- Ontem? - eu não estou a entender nada do que está a acontecer, comecei a entrar em pânico e só aí reparei que ainda estava de mãos dadas com o filho do senhor que está a falar para mim. Retirei a minha mão da sua, o que será que o pai dele irá pensar?

- Pai, por favor diz-me que não estou tolo e que a Alice ontem veio cá jantar connosco!

- Anh? Sim, ela esteve cá ontem, mas o que se está a passar, vocês enlouqueceram?

- Parece que sim! - respondi eu olhando para o Henrique.

- Alice, vamos falar para o meu quarto pode ser? - perguntou-me o ele. Para o seu quarto?

- Talvez seja melhor conversarmos noutro sítio...

- Por favor rapariga, ainda ontem lá estiveste!

- Mas eu não estive em lado nenhum, quantas vezes tenho de te dizer que eu não saí do meu quarto!?

Ele voltou a pegar na minha mão e puxou-me pelas escadas acima, o que se passava na sua cabeça, mas está tudo louco, estou neste momento a ser arrastada até ao quarto de um rapaz. Eu só entrei no quarto de dois rapazes até hoje, o do Tiago e do Afonso, que por acaso dormiam juntos. Não estou preparada para entrar no quarto do senhor convencido, deve estar cheio de fotografias de raparigas nuas nas paredes. Que nojo!

O Henrique abriu a porta do seu espaço e se ainda se lembrarem do que eu acabei de dizer, por favor esqueçam, eu retiro totalmente o que disse. O seu quarto era normal, uma cama, uma secretária, um guarda roupa, um sofá de canto incrível e uma estante cheia de CD´s, as cores eram de um tom pastel, porém, em cima da cama estava uma manta vermelha que não combinava nada com os restantes tons do quarto.

- Uau! - exclamei eu, sem me ter apercebido que falei alto de mais. Era suposto ter sido só um pensamento.

- Alice, por amor de Deus diz-me o que se está a passar, diz-me que estás a gozar comigo!

- Henrique, sendo muito sincera contigo, eu não estou a perceber o que me queres dizer com tudo isto!

- Como não Alice, ontem estivemos aqui, depois do jantar, disseste-me para pôr um filme de terror e começamos a vê-lo...

- Terror!? Eu detesto filmes de terror, ahahahah, eu acho que tu andas a sonhar Henrique! - comecei a rir-me imenso, mas assim que voltei a olhar para ele, o seu olhar estava perdido, parecia não estar a entender o porquê de me estar a rir.

- Alice, nós ontem estivemos aqui, no meu quarto, na minha cama, a ver um filme de terror, tu disseste-me que gostavas do género, eu até achei estranho, é verdade, pensei que preferias comédias, mas tu negaste.

- Henrique, eu volto a repetir, eu ontem não saí de casa, passei o tempo todo a pintar o meu quarto, essa é verdade, queres ir ver? Okay, talvez não, mas posso tirar uma fotografia para te comprovar!

- Então como é que me explicas o facto de uma rapariga exatamente igual a ti, vestida com o vestido que compramos em Belém, tenha vindo até cá, jantar comigo e com a minha família e no fim de tudo ter-me pedido para ver o meu quarto, começarmos a ver um filme de terror, ela dizer que tem frio, eu pegar numa manta...

- Eu não sei de nada disso, eu não entendo o que me estás a dizer!

- Nós beijamo-nos Alice, beijamo-nos, aqui mesmo na minha cama!

- Nós o quê!? - espera, o que está a acontecer, eu não beijei ninguém, não isso é impossível, eu estive em casa, eu tenho provas, ele deve estar a brincar comigo de certeza!

- Sim Alice, nós beijamo-nos essa é a verdade, tu beijaste-me!

- Okay Henrique, já me deixaste assustada, já brincaste com a minha cara, agora eu tenho mesmo de ir embora, eu nem devia ter vindo, já sabia que ias gozar comigo!

- Alice, Alice eu juro, eu não estou a brincar, eu parei o beijo, aquela pessoa não me parecias tu e por muito que eu quisesse que aquilo acontecesse não me parecia correto, aquilo não era correto para ti!

- Henrique não era eu!

- Então se não eras tu, quem era que estava aqui comigo?

Olhamos um para o outro e arregalamos os olhos, parece que percebemos exatamente ao mesmo tempo quem esteve aqui com ele na noite passada e novamente ao mesmo tempo exclamamos:

- Inês!

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