Capítulo 4
Estou com a sensação de que a minha bexiga vai rebentar a qualquer momento, assim que finalmente encontrei a casa de banho, oiço o meu pai e os senhores das mudanças a entrarem, é incrível a forma como o meu pai os instrui, parece que já conhece a casa de uma ponta à outra.
Depois de sair da casa de banho, decido ir dar uma vista de olhos pela casa, estou um pouco curiosa para saber qual vai ser o meu quarto, subo para o andar de cima e reparo que ainda tem mais escadas para um terceiro andar, continuo a subir e deparo-me com um enorme terraço com vista para o rio Tejo, um terraço enorme, com uma mesa e uns bancos pretos que me parecem ter um estilo vintage.
- É lindo, não é? - pergunta o meu pai enquanto me coloca o braço por cima dos ombros. Ele é bastante mais alto do que eu, deve medir por volta de cento e oitenta centímetros, já eu não passei dos cento e sessenta e dois centímetros.
- Sim é muito bonito! Mas não é o meu mar...
- Eu sei filha, mas mal vi este terraço com vista para o rio pensei logo em ti, pensei que talvez pudesses montar aqui o teu atelier de pintura e pintar esta paisagem maravilhosa.
- Sim, eu acho que podia fazer isso! - sorri. É uma excelente ideia, trazer para cá as minha telas e cores e passar o dia ao ar livre a pintar, achei perfeito. Pelos vistos o meu pai pensa mais em nós do que aquilo que nós pensamos.
- Bem agora talvez seja melhor ires escolher um quarto, a casa tem quatro, um para ti, um para a Inês, um para mim e outro para alguma visita que tenhamos.
- Vou me apressar antes que a Inês escolha o melhor, quero ver se encontro um com uma boa luz natural.
- Sim filha, faz isso.
Desci as escadas a correr, quero mesmo encontrar o melhor quarto, na nossa antiga casa o meu quarto era o mais pequeno, não é que eu me importasse, ele tinha tudo aquilo que eu precisava, era tudo aquilo que eu sonhava, mas se posso ter a chance de ter tudo aquilo que eu quero num quarto ainda maior, ótimo.
Assim que passo no corredor vejo pela grande janela que a minha irmã e o tal de Henrique continuam a falar lá fora. Não sei o que ela viu nele, muito sinceramente, que rapaz mais convencido. Okay ele só se apresentou, mas quem é que se apresenta assim, desta forma tão repentina, só se for aqui em Lisboa porque no Algarve não é nada assim, pelo menos não onde eu morava.
- Alice! -grita a minha irmã.
- O que foi!? - respondo de volta.
- O Henrique janta hoje connosco importaste!?
Espera, como assim um rapaz totalmente desconhecido vai jantar hoje em nossa casa, que por sinal também é totalmente desconhecida...
- Importaste ou não!?
- Para de gritar Inês eu estou aqui! - digo enquanto desço as escadas. Os olhos do Henrique são num tom de castanho caramelo, não é que eu esteja a reparar fixamente nos olhos dele, mas são mesmo bonitos.
- Alice, ainda não me respondeste...
- Já perguntaste ao pai?
- Já, claro, mas ele não vai jantar em casa, ele tem um jantar com os colegas de trabalho por ser o primeiro dia dele cá em Lisboa. Então importaste que o Henrique jante cá ou não?
- Eu não quero incomodar. - disse ele. A sua voz é grossa, porém, calma, é bonita. Espera lá, Alice Ribeiro em quê que estás tu a reparar.
- Sim, ele pode jantar aqui connosco...
- Boa encomendamos pizza! - exclamou a Inês. Ela está numa total histeria com o rapaz, eu juro que não entendo, ainda ontem estava toda derretida com o Afonso, beijaram-se e hoje já está colada a outro, que não conhece de lado nenhum.
Nas horas que se seguiram fomos desempacotando as coisas, os senhores dos móveis foram colocando sob as instruções do meu pai tudo nos devidos lugares, eu, a Inês e o emplastro do Henrique estávamos no quarto dela a ajudá-la com a arrumação das suas coisas.
"Quem será este rapaz?", "qual será o interesse dele em nós?", "será que é sempre assim com todos os novos vizinhos?"
O meu quarto ainda não foi arrumado, eu preferi que ele não entrasse lá, é a minha privacidade, as minhas coisas, para além do mais, o único rapaz que entrou no meu quarto foi o Tiago, e isso não vai mudar, independentemente de a casa ser outra ou não.
O meu pai saiu há minutos atrás, a casa está impecável, tirando o meu quarto, é uma casa enorme nuns tons pastel, é muito bonita, a sala é ridiculamente grande, temos um jardim nas traseiras da casa com piscina, que é das minhas partes favoritas a seguir ao meu quarto e ao terraço, estou a imaginar a quantidade de festas que a minha irmã vai fazer nela.
- Se calhar podíamos ir encomendando as pizzas. - disse o Henrique enquanto se senta ao meu lado no sofá.
- Sim, podemos ligar para a pizzaria agora, estou a ficar com fome. - respondi eu afastando-me um pouco dele. Não quero ser indelicada, mas ele parece ser muito atiradiço. Não é por ter aqueles olhinhos bonitos, que pode pensar que todas as raparigas lhe caiem aos pés.
As pizzas demoraram uma eternidade a chegar, mas assim que o motoboy tocou à campainha a Inês saltou do sofá e correu para a porta.
- Então Alice, deixa-me adivinhar, tens quinze anos e fazes dezasseis daqui a um mês. Acertei?
- Então, parece que já sabes tudo sobre a minha vida.
- Não propriamente, só sei que moravas no Algarve, em Odeceixe, perto do mar, e sei que vieste para cá por causa do teu pai ter sido transferido para o novo hospital.
- Muito bem, mas no meio de tudo isso esqueceste-te de um pequeno pormenor!
- Qual? - perguntou ele aproximando-se de mim.
- É que eu namoro, e o meu namorado ficou em Odeceixe. - porquê que eu menti? Eu já não namoro com o Tiago, este rapaz tira-me do sério, acha-se muito bom e depois faz-me dizer disparates.
- Fixe, parece que me esqueci de perguntar à minha informadora pessoal relativamente a esse pormenor. - diz ele enquanto olha fixamente para mim.
Ele é tão misterioso, tão sensual, a forma como ele morde o lábio e sorri no fim, mas ao mesmo tempo é tão intrometido, irritante e altamente convencido, tudo aquilo que eu detesto num rapaz, para além disso, eu sou louca pelo Tiago, quem me dera que ele estivesse aqui. "Porquê que ele faz tantas perguntas?"
- Pessoal quem tem fome? - grita a Inês enquanto traz o jantar nas mãos.
Só neste momento é que eu e o Henrique desviamos o olhar um do outro, foi um momento estranho, mas intenso, o que será que ele pensou enquanto me olhava fixamente. Às vezes gostava de entrar na mente das pessoas e descobrir o que elas estão a pensar, se estão a ser mesmo verdadeiras ou simplesmente estão a inventar uma história qualquer só porque sim.
O minuto de silencio terminou rapidamente, a Inês e as suas perguntas chegaram para devastar a noite.
- Então Henrique e tu?
- Eu o quê?
- Quantos anos tens?
- Tenho dezoito, mas faço dezanove ainda este ano.
- Tens irmãos?
- Não, filho único.
- Vives com os teus pais? O quê que eles fazem?
- Credo Inês, parece que estás a fazer um interrogatório ao rapaz! - detesto descobrir mais sobre a vida de uma pessoa assim, parece que já temos perguntas programadas e simplesmente as debitamos à espera de ouvir uma resposta de volta, prefiro mil vezes conversar com a pessoa com calma, passear à beira mar e irmos falando aos poucos sobre cada um.
- Desculpa Henrique, não foi por mal, é que eu sou muito curiosa. - desculpou-se a minha irmã.
- Não faz mal, - disse ele sorrindo para mim - mas então Alice, como é que tu gostas de saber mais relativamente à vida de uma pessoa?
Okay, ele lê pensamentos, de certeza, eu acabei mesmo agora de pensar nisso e ele pergunta-me assim, sem mais nem menos.
- Hum, sei lá, gosto de conversar com a pessoa e ir descobrindo aos poucos um bocadinho mais sobre ela, não com perguntas pré-feitas.
- Parece-me bem! - sorriu.
A conversa foi decorrendo ao longo da noite, no fim do jantar a minha irmã teve a brilhante ideia de nos pôr a jogar Just Dance, o seu jogo preferido desde sempre. A noite estava a ser bastante agradável, até que o meu telemóvel toca.
"Tiago"
- Alice, eu acho que um tal de Tiago quer falar contigo! - disse o Henrique com o meu telemóvel na mão.
Corri até ele para tentar apanhar o meu aparelho, mas penso que foi com demasiada força, assim que colidi com o Henrique, caímos ambos no pavimento flutuante que imitava madeira, quando abri os olhos, as nossas caras estavam quase coladas uma à outra e por pouco não nos beijamos.
O som do telemóvel parou.
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