Capítulo 2
A reação do Tiago foi incrível, ele é sem dúvida alguma a pessoa mais simpática do mundo, nunca pensei que as coisas terminassem tão bem.
Quando chego a casa, a minha irmã já tem tudo pronto, o meu quarto está praticamente vazio, as paredes azuis nuas, apenas contêm as marcas da cola onde anteriormente estavam colados os meus posters do mar, o meu guarda roupa está sem uma única peça, a minha cama apenas com o colchão à mostra, caixas estão espalhadas pelo quarto, parece que toda a minha vida está a ser levada e virada de pernas para o ar.
Hoje vamos jantar, uma última vez, com os pais do Tiago, quando o meu pai lhes contou, eles entraram em choque e decidiram fazer um último jantar de despedida. Não sei se o Tiago já lhes contou relativamente à nossa separação, os pais dele sempre me adoraram e tratavam-me como uma segunda filha, tanto a mim, como à Inês.
Quando nós nascemos, os nossos pais mudaram-se para cá, eles viviam num apartamento pequeno junto à praia, mas depois que arrecadaram um pouco mais de dinheiro acabaram por comprar esta casa enorme, também junto à praia, porém num bairro mais rico. Eu e a minha irmã sempre vivemos aqui, e saber que agora, depois de quase dezasseis anos, vamos ter de nos mudar, é algo com que eu não me consigo conformar, em contrapartida e Inês não se importa, ela sempre foi assim, sempre gostou de aventuras e viajar é das coisas que ela mais gosta de fazer, porém, depois da nossa mãe morrer, nós nunca mais saímos do Algarve, talvez por isso é que ela queira ir, para se afastar um pouco das memórias que tem da mãe.
- Alice já estás pronta!? - diz a Inês assim que entra no quarto com um vestido branco florido e um rabo de cavalo alto.
- Que horas são? - eu perdi-me completamente no tempo, fiquei a olhar os barcos a passar e atracarem no porto um por um, enquanto via as ondas baterem nas rochas que pareciam não estar nada preocupadas com a força como eram demolidas minuto após minuto.
- Alice acorda, já são sete e meia da noite, o jantar é as oito em ponto e tu ainda estás assim!
- Já vou! Até parece que é algo do outro mundo irmos jantar a casa dos Pereira. - a minha irmã é incrível, está toda produzida e atrapalhada para jantar uma última vez com o Afonso, o irmão mais velho do Tiago, ela sempre gostou dele, mas ele é aquele género de rapaz que prefere jogos de computador a raparigas, vai se a ver e ainda é gay.
- Já sabes o que vais usar, é a tua última noite com o Tiago. É verdade como é que vocês ficaram?
- Não ficamos, decidimos acabar tudo, mas é obvio que continuamos melhores amigos.
- Ao menos isso, eu também acho que foi melhor assim, cidade nova, vida nova, não é preciso nos prendermos a uma pessoa quando podemos nunca mais a ver...
- Muito obrigada Inês, estás a ser uma motivação espetacular! - espero que ela perceba a minha ironia e não continue...
- De nada! - diz ela com um sorriso sínico na cara.
Tarde de mais!
O meu pai veio chamar-nos ao quarto minutos depois, eu preparei-me à pressa, mas ainda assim consegui vestir um vestido azul bebé e cachear o meu cabelo castanho.
Assim que chegamos a casa dos Pereira, a mãe do Tiago veio abrir-nos a porta.
- Olha se não são as minhas gémeas favoritas!
- Boa noite Tânia! - dissemos em coro. Sabemos bem que ela adora quando falamos ao mesmo tempo, diz que é coisa de gémeas e que isso é incrível porque pensamos o mesmo, coisas de adultos.
- Daniel! - disse ela para o meu pai.
- Olá Tânia, então como estás!
- Muito bem, mas vá entrem!
A casa estava fantástica, como sempre aliás, a família do Tiago também tem bastante dinheiro assim como o meu pai, o que faz com que vivam desafogadamente, o jantar foi servido no terraço junto à piscina, um dos meus sítios favoritos. Nesta piscina eu e o Tiago já fizemos imensas coisas, como saltar da prancha em bomba só para molhar o Afonso, jogar as escondidas até que eu quase me afoguei, só porque tive a brilhante ideia de me esconder debaixo de água, as festas que ele cá dava para todos os alunos da nossa turma. Vou sentir mesmo a falta de tudo isso.
O ambiente estava incrível, estávamos todos sentado à mesa, a Tânia e o David cada um numa extremidade, eu em frente ao Tiago, como sempre, a minha irmã em frente ao Afonso, tentando dar nas vistas pela última vez e o meu pai ao lado de David, o chefe da família.
Foi um jantar calmo e tranquilo, conversamos bastante sobre Lisboa e como é agitada a vida lá, falamos do verão e das férias que os Pereira têm programadas em Tenerife, falamos também da minha festa de aniversário e de tudo aquilo que eu tinha planeado e que agora já não irá acontecer. Até que o Tiago me chamou até ao seu quarto.
- Nós já voltamos! - disse ele pegando-me na mão e fazendo-me acompanhá-lo até ao piso de cima.
Não consigo disfarçar os nervos, o que será que ele me quer dizer que não possa ser dito lá em baixo, nós já acabamos e por aquilo que ele deu a entender lá em baixo a nossa relação ficou normal, como antes. Entramos no quarto, eu já cá estive imensas vezes, mas desta vez é estranho, parece que é o fim. Este quarto é incrível, todo coberto com um papel de parede da Marvel, incluindo um poster enorme do Stan Lee à cabeceira da cama.
- Então o que me querias dizer? - perguntei eu.
- Eu não te quero dizer nada, tenho uma coisa para te entregar, toma.
Na sua mão ele tem uma caixa de madeira com um laço em cima, o que será que está lá dentro. Peguei na caixa e abri lentamente, lá dentro tem um lindo colar com uma concha em prata.
- Tiago eu não posso aceitar, isto deve ter custado uma fortuna!
- Gostas?
- Claro que gosto, é lindo, mas...
- Então é teu! Eu comprei-o para ti, para te dar no teu aniversário, mas como não tenho a certeza se vou estar contigo nesse dia preferi dar-to agora.
- Tiago eu não sei o que dizer, este colar é tão, tão...
- Tão Alice?
- Sim, tão Alice!
No fim dele me colocar o colar abraçamo-nos, um abraço lento e calmo, tudo aquilo que eu precisava. A nossa relação sempre foi assim, calma, fácil, estável, tudo aquilo que uma rapariga quer, pelo menos eu falo por mim.
Descemos e fomos ter com os outros à sala, a minha irmã estava a falar com o Afonso, estavam muito cúmplices até, talvez as minhas suspeitas da sua homossexualidade tenham desaparecido.
A lua ia ficando cada vez mais alta no céu e infelizmente nós tínhamos de ir embora, despedimo-nos mais uma vez dos Pereira e a minha irmã teve uma despedida inesperada com um beijo na boca vindo do Afonso. O irmão de Tiago era mais velho que nós um ano, e muito maçador, por sinal, não sei o que a minha irmã viu naquele rapaz alto e musculado, moreno de olhos azuis. Okay, talvez eu é que tenha os parâmetros muito altos e prefira os loiros.
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