Capítulo 1

Começo a ver os raios de sol romperem pelas precianas brancas e penetrarem a cortina azul do meu quarto, são cinco e meia da manhã e ainda não consegui adormecer, tenho passado o tempo todo a observar as ondas do mar pintadas no teto do meu quarto, daqui a umas horas estarei sentada no banco de trás de um carro rumo à capital.

- Alice acorda, tens de começar a empacotar as tuas coisas. - pedia o meu pai à porta do quarto.

Levanto-me e vou até ao armário, não me apetece vestir nada, estou exausta, quem me dera não ter de ir viver para uma cidade estranha, onde não conheço ninguém, longe de todos os meus amigos e principalmente longe do Tiago.

- Filha já estás... - iniciou o meu pai enquanto entrava no quarto.

- Sim pai, já estou acordada, eu vou me vestir e já vou começar a empacotar as coisas.

- Estou orgulhoso de ti!

Claro que ele está orgulhoso de mim. Assim que eu e a minha irmã soubemos que iriamos para Lisboa no inicio das férias de verão tudo mudou, pelos menos para mim, já tinha planeado a minha festa de dezasseis anos com todos os meus amigos na praia, ia ser uma festa perfeita, o tema seria o Havai e iriamos todos com aqueles colares floridos e saias havaianas, já tinha feito a lista de convidados e tudo, mas nada disto vai acontecer porque amanhã a minha vida vai mudar e eu não quero essa mudança.

O Tiago ainda não sabe de nada, não fui capaz de lhe dizer, começamos a namorar à pouco tempo e eu sabia que me ia embora, simplesmente nunca quis contar com medo que ele fosse terminar comigo, mas infelizmente acho que o meu tempo de fantasia terminou e terei de me encontrar com ele e dizer-lhe tudo.

De certeza que ele vai compreender, já tenho tudo o que lhe vou dizer apontado, literalmente escrevi num papel as deixas para não me esquecer de nada: "Tiago, nós namoramos há três meses, tu sabes que eu sempre fui apaixonada por ti desde que entraste para a minha turma no quinto ano, sempre foste a minha grande paixão e agora tive a oportunidade de namorar com o rapaz mais giro da escola. Mas infelizmente, eu vou viver para outra cidade amanhã e vamos ter de nos separar, ou não, caso queiras manter esta relação à distância, eu adoraria continuar a ser a tua namorada e é óbvio que nas férias eu viria visitar-te e tu talvez também pudesses vir passar uns dias à minha casa nova. Só quero que saibas que gosto mesmo muito de ti e não queria que nada disto acontecesse." Que piroso, eu sei, mas pode ser que ajude a manter a nossa relação.

- Alice preciso da tua ajuda, não consigo encontrar o carregador do meu computador e preciso de o guardar na mala! - gritava a minha irmã pelo corredor.

- O carregador está na cozinha, mas anda cá Inês! - respondi eu.

- O que foi!?

- Eu preciso da tua ajuda...

A minha irmã olhou para mim com cara de desconfiada e depois de revirar os olhos perguntou:

- Diz lá, o quê que é preciso eu fazer?

- Eu ainda não contei ao Tiago que estamos de partida amanhã e preciso mesmo de lhe ir dizer, podes arrumar as minha coisas por mim, eu aposto que as tuas já estão todas arrumadas.

- É claro que já estão arrumadas Alice, eu não deixo tudo para cima da hora!

- Sim, eu já sei, mas ajudas-me ou não?

- Vai lá, mas não te livras de me comprar aquele casaco que vimos na Zara.

- Chantagista!

- Queres que te arrume as coisas ou não?

- Pronto okay, depois eu vejo isso, vá agora vou me vestir, sai.

Escolhi a primeira coisa que me apareceu à frente, umas calças jeans e uma blusa branca, peguei na roupa e corri para a casa de banho.

Assim que entrei no duche continuava a pensar em como ele iria reagir, será que acabaria comigo, ou será que não iria querer saber da distância, será que ele já tem outra e não se importa de me trocar por ela. As hipóteses passam-me todas pela cabeça enquanto a água quente me vai escorrendo pelos ombros. O Tiago é da minha idade, entrou para a minha turma no quinto ano, assim que se mudou para a minha escola e eu apaixonei-me por ele assim eu o vi, a partir daí eramos inseparáveis, os nossos pais davam-se bem e nós andávamos sempre juntos, para onde um ia o outro ia também. Até que um dia eu finalmente me declarei a ele, estávamos na praia de Odeceixe, ao pôr do sol, eu planeei tudo, assim como faço sempre, estávamos a passear pela beira mar, foi bastante romântico e felizmente ele disse que também gostava de mim e a partir daí começamos a namorar.

Os nossos pais não se importaram com a ideia, mas o irmão mais velho dele detestava-me por estar constantemente no quarto deles.

Assim que saí do banho, mandei-lhe uma mensagem que dizia para se vir encontrar comigo, daqui a meia hora, na praia de Odeceixe.

(telemóvel toca)

"Okay! Bjs"

Vesti-me à pressa, penteei o meu cabelo castanho claro e escovei os dentes, passei um pouco de maquilhagem na cara para disfarçar estas olheiras horríveis da noite passada.

Estava a tremer, acho que nunca me senti tão nervosa na minha vida, era uma sensação estranha separar-me de alguém tão importante para mim, logo agora.

Saí de casa sem o meu pai se aperceber e chamei um uber, dei a morada da casa da minha melhor amiga que morava no quarteirão a seguir ao meu e mantive-me lá à espera. O texto que eu tinha planeado passava-me pela cabeça vezes e vezes sem conta, tinha quase a certeza que tudo iria correr como o previsto, nada poderia correr mal, a não ser que ele respondesse algo que eu não quisesse ouvir.

O uber chegou finalmente, após vinte minutos de espera, a viagem foi rápida e assim que abri a porta do audi preto lá estava ele, sentado no muro do parque de estacionamento a olhar para o telemóvel, traz vestida uma t-shirt azul marinha da Ralph Lauren e umas calças de ganga claras, que combinam perfeitamente com o seu cabelo loiro e os seus olhos azuis. Vou sentir imensas saudades dele.

- Olá princesa, estás tão linda hoje!

- Olá Tiago, obrigado, tu também estás muito bem! Adoro essa t-shirt.

- Por isso mesmo é que eu a trouxe, eu sei que é a tua favorita.

Sorri envergonhada, ele é mesmo o rapaz perfeito, não me quero separar dele por nada.

- Então o que nos trouxe cá tão cedo? É que hoje é domingo e fizeste-me levantar da cama com as galinhas.

- Desculpa, eu sei que é muito cedo, mas eu preciso de falar contigo, é urgente!

- Aconteceu alguma coisa grave? Tiveste mais algum ataque?

- Não, comigo está tudo bem, quer dizer, mais ou menos...

- Alice estás a assustar-me o que aconteceu?

- É que eu, bem espera, eu planeei como te contar...

- Alice, por favor, por uma vez na tua vida esquece os planos e diz-me o que aconteceu!

- Okay, eu e a minha família vamos amanhã para Lisboa!

- Espera o quê?

- É isso mesmo que ouviste, eu formalizei isto de outra maneira para não ser tão brusca, mas tu disseste para esquecer os planos...

- Como assim tu vais amanhã para Lisboa, mas vais de férias é isso!?

- Não Tiago, eu e a minha família vamos viver para Lisboa, desculpa só estar a dizer isto agora, mas é que...

- Tu já sabias? Tu já sabias e nunca me disseste nada? Há quanto tempo sabias disto Alice?

- Desde o início de Fevereiro, quando o meu pai recebeu a carta de transferência. - estou a começar a entrar em pânico, os seus olhos transmitem tristeza, mas também raiva e isso está a assustar-me muito.

- Alice eu juro que não estou a entender, nós somos melhores amigos há anos, começamos a namorar há três meses e tu já sabias disto e nem assim tiveste coragem de me contar, isto não é algo fácil, não é algo "normal", tu vais para longe, Alice eu não compreendo. - as lágrimas começaram a romper pelos meus olhos esverdeados, não consegui conter a tristeza de o deixar, eu gosto mesmo dele, este rapaz que eu tenho à minha frente, sentado com as mãos na cabeça é das pessoas mais importantes da minha vida. Ele esteve presente em momentos que eu nunca mais irei esquecer, bons e maus, ele esteve presente quando a minha mãe morreu e apoiou-me sempre e agora eu vou deixá-lo.

- Princesa não chores! - como é que ele me pode tratar desta maneira tão carinhosa depois do que eu lhe fiz.

- Desculpa Tiago, desculpa por tudo, eu não sei o que devemos fazer, se continuamos a nossa relação à distância, se devemos terminar, eu não sei!

- Tu vais para longe, e não vais voltar, a não ser nas férias claro...

-Sim, eu sei, mas...

- Alice é melhor acabarmos, nós namoramos há pouco tempo e tu raramente vais estar aqui. Tenho a certeza de que encontrarás alguém melhor do que eu em Lisboa.

- Tens a certeza que é mesmo isso que tu queres? - eu não sei como reagir, por um lado ele tem razão, vamos estar muito longe um do outro e manter uma relação à distância não é nada fácil, porém, nós somos muito chegados e talvez resultasse.

- É o melhor para os dois, para além disso, nós não vamos deixar de nos falar, sempre temos telemóveis e vídeo chamadas.

- Obrigada por seres tão incrível, acho que nunca vou conhecer alguém tão especial como tu, e pode ser que um dia eu volte e talvez voltemos a namorar.

- Sim, pode ser que sim!

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