AS 12 ROSAS

Capítulo 1

Estávamos na noite do meu aniversário.

Bem para ser mais exata, estávamos na noite de dia 20 de Novembro de 2016. Mas antes de vos levar ao inicio da ação, é melhor contar-vos um pouco da minha pequena grande história.

Chamo-me Sarah, ou Sarah Silva Clark como insistem chamar-me sempre que vou a uma consulta no centro de saúde. Tenho 84 anos e sou filha de uma mãe portuguesa e de um pai britânico, mas por incrível que pareça eu sou americana. Até que acho uma certa piada a isso, quer dizer quando era mais pequena sentia que a minha casa era um pequeno mundo, tendo em conta que tenho tios e primos franceses, os meus avós eram espanhóis e a minha madrinha era austríaca, o pior disto tudo era no Natal, quando decidiam juntar a família toda e aí sim, eu sentia-me uma analfabeta, quando começava a ouvir os meus primos mais novos a discutirem em francês, os meus avós que tentavam ensinar as minhas primas a falar espanhol e a minha mãe a conversar com a minha tia Ju em português.

Mas bom, voltando à história inicial.

Bem eu estava sozinha em casa a tomar o típico chocolate quente dos dias de chuva quando de repente tocaram à campainha. Confesso que achei estranho, tendo em conta que o Ethan, o meu marido, tinha saído para o escritório à menos de 10 minutos. Pousei a chávena do chocolate em cima da mesa da sala e fui abrir a porta embrulhada no meu roupão branco com bolinha douradas.

Do outro lado estava a minha filha Sophia com o seu marido Noah e o meu casal de gémeos preferidos, Martha e Jason.

-Boa tarde Mrs. Sarah! - exclamou a minha menina sorrindo.

-Boa tarde querida, o quê que vos trás por cá?

-Avó nós viemos festejar! - disse o Jason atirando-se para o meu colo.

Foi precisamente naquele momento que me lembrei que era o dia do meu aniversário. Sou sincera, a minha memória já não está lá muito boa, mas contudo ainda consigo contar-vos exatamente algumas histórias da minha infância.

-Entrem, está frio aí fora.

-Mãe trouxe um bolinho que os gémeos me ajudaram a fazer, onde é que posso pôr?

E pronto, chegou a pergunta que eu mais esperava, mas não num bom sentido. A Sophia sempre foi uma rapariga que se importa bastante com as datas, principalmente os aniversários e considerando que eu me esqueci do meu próprio aniversário, bem acho que dá mais ou menos para ter uma pequena ideia daquilo que ela vai dizer.

-Tu não me digas que... - iniciou Sophia. -mãe a sério que tu te voltas-te a esquecer!?

-Desculpa querida, tu sabes muito bem que a minha memoria já não é o que era, e sinceramente passar de 84 para 85 não é uma coisa que me deixe lá muito feliz, é só um sinal de que já estou quase a passar para o outro lado.

Sim eu sei que não foi uma coisa agradável de se ouvir, mas é verdade, eu já não vou para nova e festejar esta data tornou-se simplesmente uma maneira de me deixar triste, sabendo que daqui a pouco já não os vejo mais.

Eu olhei para a minha filha e vi a sua cara de descontentamento, sabia que tinha de fazer alguma coisa, por isso chamei os gémeos e dei-lhes instruções para ligarem para o tio Scott, o meu filho mais novo, e dizerem-lhe para aparecer com a sua família em minha casa para a minha festa de aniversário.

-O número dele está num caderno em cima da minha mesa de cabeceira, vão ao quarto e liguem para ele. - disse-lhes eu pegando no bolo que Sophia tinha nas mãos e levando-o para a cozinha.

Eu e a minha filha decidimos preparar uns fritos para colocar na mesa que o meu genro estava a por na sala de jantar. O Noah sempre foi um rapaz prestável e sempre ajudou muito cá em casa quando aparecia para jantar.

Os gémeos estavam a demorar demasiado e o mais incrível era o facto de não se ouvir barulho no andar de cima, tendo em conta que para onde quer que eles fossem haviam sempre gritos e choradeiras. Ou era porque o Jason tinha batido na Martha ou porque a Martha tinha assustado o Jason, aqueles dois nunca se conseguiam dar bem.

Decidi ir até lá a cima ver o quê que se estava a passar no meio de tanto silêncio e não demorou muito até que os gritos voltassem.

-Para, dá-me isso, eu vi primeiro! - gritava o Jason.

-Não, fui eu que a vi primeiro!

Ao entrar no quarto vi a Martha em cima da cama com uma rosa na mão.

-O quê que se passa aqui!? - perguntei eu.

-Avó o Jason não me dá a rosa, eu vi-a primeiro. - dizia a Martha.

-Não, isso não é verdade, fui eu que a vi primeiro.

As minha pernas começaram a tremer, as memórias daquela rosa de plástico voltaram a aparecer como um foguete na minha mente.

Passado algum tempo "acordei" e os gémeos já estavam sentados na cama a olhar fixamente para mim.

-Avó Sarah está tudo bem!? - perguntaram ao mesmo tempo.

-Sim queridos, está tudo ótimo.

-Foi o avô Ethan que te deu esta flor? - perguntou a Martha.

-Não querida, eu recebi essa rosa à muito tempo atrás de uma pessoa muito especial.

Eu tinha que lhes contar.

Capitulo 2

Eu não sabia bem como lhes contar tudo aquilo, quer dizer, eles tinham apenas 8 aninhos e seria estranho falar-lhes de um dos meus anos favoritos.

-Avó! - exclamou a Martha interrompendo os meus pensamentos - Está tudo bem, pareces triste.

-Não meu amor, está tudo bem!

-Avó Sarah...

Os meus netos tinham a mania de me tratar por "avó Sarah" e à avó paterna por "avó Margaret", eu nunca percebi muito bem, mas até que lhes achava uma certa piada, tendo em conta que os meus pais tiveram muito bom gosto no que conta à escolha do meu nome.

-Sim Jasson? - perguntei eu depois de pensar porquê que eles não me tratavam só por avó.

-Estamos à espera que contes quem é que te deu essa rosa!

E lá comecei eu a tremer de novo, as memórias voltaram a apoderar-se de mim, e as palavras fluíram sem eu dar por nada.

-Em 1947, quando eu tinha por volta de os meus dezasseis anos de idade, o meu irmão mais novo faleceu num acidente de carro enquanto voltava para casa da festa de anos do filho dos nossos vizinhos na altura. Nesse acidente não houveram sobreviventes, penso que por ser num dia chuvoso o carro se despistou e caíram num penhasco. O meu irmão era mais novo do que eu 5 anos por isso teria na altura onze aninhos.

Assim que soube da noticia morri com ele, só o meu corpo estava cá, a minha alma tinha partido...

-Avó tu morreste!? - perguntou a Martha assustada. - És um fantasma!?

-Não querida...

Confesso que achei uma certa piada à inocência das crianças, e apercebi-me que não estava a contar uma história para o jornal da região, mas sim para uns traquinas de oito anos.

-Como o meu irmão morreu, eu fiquei muito triste, então os meus pais decidiram levar-me a um doutor muito especial.

-O doutor palhaço do hospital!? - perguntou o Jason.

Bem e vocês perguntam : "doutor palhaço?". É que o Jason há mais ou menos um ano atrás apanhou uma gastroenterite e teve que ficar internado na pediatria do hospital, e lá como é óbvio haviam médicos que brincavam com as crianças e se mascaravam de palhaços para que elas não tivessem medo. Mas voltando à história.

-Não Jason, o doutor especial de que eu estou a falar chamava-se doutor Morgan, esse senhor foi um grande amigo meu e ajudou-me muito sabias!

-Ele deu-te picas? - perguntou a Martha assustada.

-Não, ele tratou-me da cabeça.

Sim eu sei que talvez eles não fossem perceber aquilo, mas não encontrei outra maneira de me expressar.

-Avó então tu foste a um doutor da cabeça? - perguntou o Jason.

-Sim querido! - respondi eu - Mas calma ainda não vos contei tudo.

No dia em que os meus pais me levaram ao consultório do doutor Morgan, eu estava muito assustada e para além do mais eu não queria estar ali, o sitio onde eu queria estar era em casa a ler um livro ou a bordar, porém, já que tinha que estar ali comecei a olhar ao redor do consultório e achei aquilo muito cinzento, não havia um único quadro colorido, para ser mais especifica não havia quadro nenhum e muito menos um tapete naquele chão sujo que parecia não ser limpo à meses.

De repente ouvi uma voz masculina a gritar do lado de dentro do consultório, lembro-me bem daquilo que ele dizia num tom grave e determinado: "Estou farto de tudo isto doutor, eu estou ótimo não preciso dos seus concelhos para nada, muito bom dia!" e de repente a porta do consultório abriu e saiu de lá de dentro um rapaz alto, moreno de cabelo liso e olhos azuis.

-Mas avó, o avô Ethan não tem olhos azuis, nem é alto e ele tem o cabelo amarelo.

A ingenuidade da Martha comoveu-me por momentos, ela pensava mesmo que tinha sido o meu marido a oferecer-me aquele linda rosa vermelha.

-Querida não era o avô! Aquele moço alto, moreno e bem estruturado chamava-se Ian, coisa que eu só vim a descobrir depois de ele me ter piscado o olho e sair do consultório.

-Quem é o Ian!?

Capitulo 3 

 Senti o meu semblante mudar de repente, um sorriso foi aparecendo lentamente assim que voltei a ouvir o nome dele, mas logo de seguida as memórias tristes voltaram.

-Avó... quem é o Ian!? perguntou o Jason.

-Querem que vos conte a história dele?

-Siiim! - responderam os dois em coro, como é costume acontecer com todos os gémeos.

Por acaso sempre quis ter uma irmã gémea, sempre imaginei como seria ter uma pessoa exatamente igual a mim, poder pregar partidas às pessoas, ouvir várias vezes as pessoas a trocarem-me o nome, sinceramente seria uma coisa bastante engraçada.

-Bem... - continuei eu - o Ian foi um rapaz que conheci na sala de espera do consultório do doutor Morgan. Sinceramente assim que o vi achei que ele era um grande convencido e muito arrogante por sinal, tendo em conta a maneira como ele falou para o doutor.

Depois de ele ter saído do consultório, e depois de eu o ter achado um palerma por ele me ter piscado o olho, o meu nome ecoou pela aquela sala vazia, era minha vez de contar tudo sobre mim a um estranho, entrei sozinha na pequena sala onde o doutor estava e sentei-me numa cadeira de madeira que mais parecia estar a cair aos pedaços.

-Tu tiveste que dizer ao doutor que estavas doente não é avó? - perguntou a Martha.

-Sim, foi mais ou menos isso.

De repente a Sophia entrou no meu quarto e ficou estupefacta.

-Ui, estão todos tão calados! Quer dizer a avó vem ver o que se passa e acaba por ficar aqui na conversa com os netinhos e deixa a filha lá em baixo como o trabalho todo!

Aquelas reações eram típicas da Sophia, mal a deixava sozinha por um ou dois minutos lá vinha ela à minha procura, sinto que lhe vou fazer muita falta daqui a algum tempo, quer dizer já não deve faltar muito pelas minhas contas.

-Mamã a avó estava-nos a contar uma história! - disse o Jason.

-Pois foi, ela estava a contar-nos quem é que lhe deu esta rosa! - continuou a Martha, mostrando a rosa de plástico à mãe.

-Eu nunca tinha visto essa rosa... mãe foi o pai que ta deu? - perguntou a Sophia.

-Não mamã, quem deu esta rosa a avó Sarah foi o Ian! - respondeu o Jason.

-Ian!? - perguntou a Sophia sentando-se para ouvir o resto da história.

-Bom continuando... - interrompi - eu passei a ir todas as quartas feiras ao consultório do doutor Morgan, e por incrível que pareça, aquele rapaz estava sempre lá dentro a dizer que não precisava das consultas para nada e que estava tudo ótimo com ele... sinceramente eu nem sabia porquê que ele lá ia, se não precisava daquilo para nada que não metesse lá os pés.

Passado mais ou menos um mês, os meus pais deixaram de vir comigo às consultas e como sempre lá estava ele, lembro-me como se fosse ontem da primeira vez que ele falou comigo, foi num dia frio de inverno, estava a nevar imenso, lembro-me que a minha mãe me obrigou a usar um cachecol feito por ela que eu detestava, era um cachecol verde tropa com riscas pretas, mas bom voltando à parte importante, o consultório ficava a mais ou menos uns cinco minutos de minha casa, por isso eu chegava lá num estante se fosse por um atalho que eu tinha descoberto com a Kate, a minha melhor amiga da altura.

-Nunca me falas-te das tuas amigas de infância mãe... - disse a Sophia olhando para mim com o seu olhar doce.

-Já não a vejo à bastante tempo, penso que foi para França, depois de ter casado com um moço de boas famílias.

-Mas vá continua, estou a ficar interessada em conhecer esse tal Ian. - disse a minha filha.

-Bom eu fui por esse atalho e pus-me lá em cinco minutos, assim que cheguei perto do edifício vi que na porta havia um aviso que dizia : "Volto já". Decidi sentar-me no passeio molhado pela neve e rezar para que o doutor não demorasse muito, até que de repente ouvi uns passos.

-Olha olha quem cá está! - dizia ele.

Indignada respondi-lhe:

-Desculpa, mas eu acho que nós não nos conhecemos, não consigo perceber como é que podes falar assim comigo, os teus pais não te deram educação.

Arrependi-me de tudo o que disse minutos depois, a cara dele mudou completamente, sentou-se ao meu lado mesmo sabendo que se iria molhar e ficou calado por segundos.

-Disse algo de mal? perguntei eu. - Sabia que tinha feito uma pergunta estúpida, tendo em conta a reação dele, mas mesmo assim eu tinha de a fazer.

Ele não respondeu, por isso decidi perguntar porque que ele vinha ao psicólogo assim como eu.

-Sinceramente não sei! - respondeu ele levantando a cabeça e aproximando-se do meu rosto.

Afastando-me um pouco disse-lhe:

-Alguma coisa deve ter acontecido contigo...

-Porquê que dizes isso!?

-Não sei bem, mas se não precisas das consultas porquê que vens?

-Para te ver...

Capitulo 4 

  - Fique chocada, senti o meu corpo gelar, da pontinha dos pés à ponta dos cabelos. Até que de repente, ouvi uns passos apressados aproximarem-se de nós.

- Menina Sarah, peço imensa desculpa pelo meu atraso, o transito estava descomunal e eu tive de ir levar o lanche à minha mãe... - dizia ele enquanto se aproximava de mim.

Tenho curiosidade em saber o que foi feito dele, à uns anos recebi a noticia que se casou pela segunda vez, penso que a primeira mulher faleceu de leucemia muito nova, a partir daí nunca mais soube de nada, mas espero que a sua mãe esteja de boa saúde, aquela senhora sempre foi muito simpática comigo.

- Depois de se acalmar, reparou que atrás de mim estava o Ian e com um olhar estupefacto pergunta-lhe o quê que ele está ali a fazer visto que hoje não tem consulta marcada. O Ian limitou-se a não lhe responder, olhou para mim sorriu e virou costas em direção à estação de comboios.

- E foi assim embora, seu um "adeus" ou um "até à próxima"? - perguntou Sophia embasbacada.

- Sim querida, o Ian sempre foi um rapaz muito misterioso, ele gostava de deixar pistas para todo o lado que ia, nesse dia deixou-me um mapa com as estações de comboio, que eu acabei por guardar na bolsa sem saber porquê que ele me deu aquilo.

Fui para o consultório com o doutor Morgan relatar mais um pouco da minha medíocre vida, até que aquele gigantesco relógio tocou, fazendo com que o meu coração pulasse.

- Avó Sarah, no doutor haviam aqueles relógios que dão nos filmes que o papá vê à noite e diz que eu não posso ver porque mete medo!? - indagou o Jasson.

- Sim amor, esses mesmo ahahah.

A campainha tocou, dava para ouvir o meu marido a entrar e perguntar ao meu genro onde é que estávamos.

Olhei para o relógio e já passavam das 17:30, os gémeos sairam a correr do quarto mal ouviram o avô chegar, mas a Sophia ficou e impacientemente pediu-me para continuar a contar a história.

- O Ian deixou de aparecer nas consultas, deixei de o ver definitivamente no inicio até que não me fazia diferença, mas passadas semanas comecei a perguntar-me se ele estaria bem.

O tempo foi passando, até que no dia de aniversário do meu falecido irmão, de manhã, eu encontrei um bilhete, na janela do meu quarto, que dizia : "Sei que hoje é um dia muito importante para ti, não me perguntes como sei... apenas sei. Gostava que viesses ter comigo ao jardim da cidade pelas 16:30, espero-te lá! Ass: Ian".

Mal acabei de ler o bilhete, senti o meu corpo começar a tremer como uma gelatina, acho que nunca mais vou voltar a sentir aquela sensação que percorreu o meu corpo num segundo.

Naquela altura não sabia porquê que tinha ficado assim, afinal eu e ele não tinhamos qualquer relação de amizade, mas eu não consegui resistir em ir.

- Tu foste assim, sem mais nem menos, à hora marcada? E se fosse uma armadilha para te raptarem ou para te roubarem...

- Eram outros tempos Sophia, antigamente podiamos andar na rua sozinhos sem nos preocuparmos, podiamos correr, saltar e pular, podiamos ser crianças!

Vi o olhar triste dela e imaginei o que lhe estaria a passar pela cabeça.

- Continuando. Às 16:30 lá estava eu como combinado, sentei-me num banco perto do lago que ainda hoje lá tem a ver os peixinhos que por esta altura já tão numa quarta ou quinta vida, até que ele apareceu, trazia consigo um cesto de piquenique muito elegante e vinha vestido todo de preto, assim como eu.

Após a morte do meu irmão eu decidi que não queria mais usar roupas de cor, portanto todo o meu guarda-roupa era preto branco e cinzento, quanto mais escuro melhor.

- Ele aproximou-se me mim, pegou-me na mão e levou-me para um jardim que ficava na parte de trás do parque, onde eu nunca tinha ido, estendeu a toalha e tirou de dentro do cesto uns biscoitos queimados, uma fatia de bolo que mais parecia um pedaço de madeira, duas pedras negras e duas fisgas.

Eu fiquei fixada em tudo aquilo que ele tinha acabado de colocar em exposição, sem perceber o quê que ele me queria dizer com aquilo.

-Sarah! - disse ele olhando fixamente para mim. - Provavelmente não estás a perceber nada daquilo que eu te estou a tentar dizer com tudo isto, portanto vou explicar-me.

Primeiro, comecei por trazer biscoitos queimados, para simbolizar a quantidade de pessoas que se sentiram mal com a morte do teu irmão. Segundo trouxe um fatia de bolo queimado que te simboliza a ti. E por último trouxe estas duas pedras e duas fisgas para que possamos os dois fazer com que este teu pesadelo acabe.

Capitulo 5

-Mãe não estou a perceber nada, o quê que ele fez com aquilo tudo?

Notava-se claramente que a Sophia queria saber mais, mas ao mesmo tempo, tentava achar qualquer defeito que ele pudesse ter no meio daquela história toda.

-Naquele momento nem eu percebi querida, ele aproximou-se de mim e fez-me tocar em cada um daqueles biscoitos explicando-me a que personagem da minha família pertenciam e o mesmo fez com o bolo.

No fim de todo um discurso melancólico e apático, pegou na minha mão novamente e levou-me até ao lago, trazendo consigo as duas pedras e as duas fisgas.

-Chegamos ao fim!

-Anh? Como assim chegamos ao fim? - perguntei eu.

-Vamos acabar com todo esse teu sofrimento que não serve para nada, vamos mudar a tua vida, vou fazer-te feliz.

-Ele disse que te ia fazer feliz mãe!?

-Sim tens razão Sophia, e fez durante 1 ano.

-Continua por favor. - pediu-me ela.

Ele deu-me para a mão uma das pedras e uma fisga e disse-me:

-Aos três vamos lançar estas duas pedras com força bem para o fundo do lago, não penses em nada, apenas lança com toda a força que tiveres. Estás pronta?

Acenei com a cabeça positivamente e voltei a olhar para o lago. Ele contou até três e lançamos as pedras ao mesmo tempo, foi uma sensação incrível, parecia que me tinha livrado de vários problemas, sentia-me bem.

Voltamos para a manta de piquenique sem dizer absolutamente nada um ao outro, penso que o silencio era a coisa mais bonita de se ouvir naquele momento delicado.

De repente comecei a ouvir uns passos a subirem as escadas lentamente, sabia perfeitamente que era o meu marido, e parei logo de contar a minha história para a Sophia.

-Mãe porquê que paras-te? - perguntou-me ela.

-Parou com o quê!? - perguntou o meu marido.

Fiquei entalada, não sabia o que lhe responder, sentia-me presa naquelas memórias e sabia que se ele soubesse ficaria triste, por eu continuar a lembrar-me dele... por continuar a amá-lo ainda mais desde o primeiro dia em que o vi.

-Está tudo bem querida, parece que viste um fantasma!

-Está tudo bem pai, a mãe só me estava a contar uma historia sobre ela e as amigas, estava a ser bastante engraçado!

Naquele momento senti-me tão aliviada, nunca pensei que a minha filha fosse mentir ao pai daquela maneira, ela nunca lhe mentiu nem mesmo para sair à noite com a melhor amiga, foi uma surpresa para mim.

-Ah olha que engraçado, raramente me falas da tua infância e das tuas amigas, quer dizer, tu também não devias sair muito desde que aconteceu aquilo com o ...

-Pai! - disse a Sophia olhando fixamente para ele tentando explicar que aquela não era a melhor situação para ele falar do meu irmão.

-Tens razão querida, peço desculpa...

-Avô Ethan, avô Ethan!!! - gritaram do andar de baixo os meus netos.

-Bem, acho que tenho que ir, o dever chama-me! - dizia ele enquanto saía do quarto.

A Sophia sorriu e disse que já íamos descer.

-Continua por favor! - disse-me ela.

Fiquei impressionada, nunca vi a minha filha tão interessada em algo que tivesse a ver com o passado, ela nem álbuns de fotografias gosta de ver, para ela o passado é simplesmente passado e nós não nos podemos agarrar a ele pensando que poderá virar futuro.

Mas lá continuei.

-Onde é que eu ia? - perguntei.

-Na parte em que chegaram à toalha de piquenique.

-À sim, pois é. Sentamos-nos novamente sem dizer uma única palavra, até que eu tive de quebrar o gelo.

-Desculpa, eu não estou a perceber nada, tu vais e voltas, apareces e desapareces sem que eu saiba sequer onde é que tu estás, num dia estás comigo, piscas-me esses teus olhinhos bonitos e vais-te embora no momento seguinte... o quê que tu queres de mim?

Os olhos dele fecharam-se por momentos e um sorriso apareceu na sua face, parecia um bonequinho de porcelana, não havia nada que eu mudasse nele, era simplesmente perfeito.

De repente virou-se para mim, aproximou o seu rosto do meu repentinamente e sem que eu desse por nada os nossos lábios juntaram-se calmamente originando um misto de sensações dentro de mim.

Capitulo 6

Eu vi a cara da minha filha, apercebi-me logo de que não lhe devia ter contado aquele episódio.

-Porquê que paraste mãe!?

-Acho que simplesmente não devo continuar.

E deitando um lágrima ela respondeu:

-Não pares mãe!

Baixei a cabeça e continuei.

-Assim que nos separamos eu não aguentei e desatei a correr dali, sabia perfeitamente que o meu pai não iria aceitar que eu namorasse com um rapaz mais velho, ainda por cima o "louco" do consultório do doutor Morgan, como ele insistia em chamar ao Ian, e mesmo que ele aceitasse, eu nem sabia o que tinha significado aquele beijo que durante semanas não me saía da cabeça.

Todos os dias assim que chegava a casa ia a correr para o meu quarto ver se tinha alguma pista dele, qualquer uma, nos dias de chuva via o formato das gotas a escorrerem pelo vidro para ver se me deixavam alguma mensagem, nos dias de sol olhava para as nuvens, mas nunca decifrei os códigos que elas me tentavam transmitir acerca dele.

Até que um dia, no fim da escola, eu cheguei a casa e como nos restantes dias eu corri até ao meu quarto e lá estava ele...

-No teu quarto!? - perguntou-me ela impressionada - Como é que ele conseguiu entrar sem que ninguém desse por nada!?

-Não faço ideia querida, mas fiquei encantada por vê-lo ali, sentado na minha cama com um amor perfeito acabado de colher de um dos canteiros que eu tinha no parapeito da janela do quarto.

-Ian!? - disse-lhe eu aproximado-me.

-Finalmente te vejo pequenina!

-Como é que entraste aqui? Alguém te viu?

-Não te posso contar como entrei e não ninguém me viu, podes confiar em mim!

Ele aproximou-se de mim, deu-me aquela pequena flor lilás e um beijo na testa que me deixou toda arrepiada. Passamos o resto da tarde deitados na minha cama como o lindo casal de namorados, que não éramos, até que quando eu lhe disse para tirar o casaco ele negou e o clima ficou pesado.

-Porquê o que se passou? - perguntou a Sophia.

-Naquele momento eu também fiquei sem saber, porque a minha mãe tinha acabado de entrar em casa e ele teve que saltar pela janela. Encontramos-nos várias vezes, depois disso, no parque junto ao lago, mas nunca tive coragem de o confrontar com isso. As semanas foram passando até que ele teve coragem de me pedir em namoro, mesmo em frente à porta do consultório de psicologia, que eu já não frequentava, porque o doutor disse que eu já estava "bem".

O nosso namoro estava a correr tão bem, até que passado mais ou menos dois meses eu o vi...

-Não me digas que ele te traiu, pois só podia, da maneira que ele era, já previa!

Naquele momento fiquei chocada com aquilo que a minha filha tinha acabado de dizer, senti como se tivesse criado um pequeno monstro, eu nunca pensei que ela fosse assim. Não consegui conter o choro e deixei cair uma lágrima.

-Mãe foi algo que eu disse? Foi por te teres lembrado daquele parvo não foi...

-Chega Sophia! Não ele não me traiu! - disse eu limpando as lágrimas - Chega de insinuações falsas, eu não te eduquei assim filha, nunca pensei que fosses assim, uma pessoa fria que só olha para o seu próprio umbigo. É a minha história Sophia, a minha vida e só eu é que sei como é que ela foi... tu sabes que eu detesto quando tentam fazer das pessoas aquilo que elas não são!

-Continua mãe.

Foi a única coisa que ela me disse, mas eu fiz aquilo que ela me pediu.

-Eu estava a passar pela casa dele e vi-o no seu quarto a automutilar-se, eu queria ter ido lá, mas alguém me podia ver e ir contar aos meus pais, por isso desatei a correr para minha casa. Fiquei chocada com aquilo, tive vários pesadelos nas noites seguintes e tudo, foi horrível.

Ele apareceu na janela de minha casa nessa noite, queria que eu fosse dar uma volta com ele pela cidade depois de todos estarem a dormir.

-E tu foste? - perguntou-me ela já mais calma.

-Sim fui, tentei parecer o mais normal possível, mas não resultou.

-Está tudo bem pequenina? - perguntou-me ele.

-Sim claro que está, porquê que perguntas? - disse-lhe eu tentando disfarçar.

-Já percebi que algo não está bem, por favor conta-me!

Eu nem esperei duas vezes e levantei-lhe a manga do casaco vendo assim os cortes todos ensanguentados e outra coisa que eu nunca pensei ver!

Capitulo 7

Tirei-lhe a mão do braço e recuei um passo, sabia perfeitamente que ele iria ficar chateado comigo, ou simplesmente iria sair a correr sem sequer me dizer alguma coisa.

-Ficas-te chocada não foi!? - perguntou-me ele calmamente.

Eu nem conseguia falar.

-Podes dizer-me, eu sei que não é todos os dias que se vê um rapaz com um tumor no braço esquerdo!

-Um o quê!? - perguntei eu assustada.

-Sim Sarah, eu tenho um tumor maligno no braço, desculpa nunca te ter contado, mas eu pensava que iria morrer sem que tu algum dia viesses a saber, tu não deverias saber, não quero que tenhas pena de mim só por causa de um maldito tumor, não é nada de mais acredita, as pessoas é que fazem uma tempestade num copo de água...

Beijei-o imediatamente, já tinha notado perfeitamente que ele estava a tentar arranjar desculpas para aquela maldita doença, eu sabia muito bem que aquilo não era bom, sabia perfeitamente que aquilo o poderia matar em dois tempos se quisesse, ele simplesmente não queria que eu agisse como os outros.

-Porquê que me calas-te? - perguntou-me.

-Conta-me a tua história!

-Tens a certeza de que queres saber Sarah!?

-Sinceramente não, imagino assim um passado negro, cheio de guerras e muito sangue... é claro que quero, se eu não quisesse já não estaria aqui.

-Tudo bem, eu conto, mas por favor não fiques demasiado triste ou desiludida comigo depois de eu acabar.

Aproximamos-nos de um banco de madeira que lá tinha e sentamos-nos para que ele me pudesse contar tudo aquilo com mais calma e só te digo uma coisa filha, foi horrível!

-Tudo começou numa aula de educação física por volta dos meus 10 anos de idade, estava a jogar rugby com os meus colegas, até que senti uma dor muito forte no braço, como sou destro não quis saber e continuei a jogar sem problemas. Passado uns dias eu estava em casa com a minha mãe...

-Ah Sophia, o pai do Ian traiu a mãe com uma mulher da vida e foi para a Alemanha penso eu, e a mãe dele morreu num acidente de carro no ano anterior ao de ele me ter conhecido, portanto ele vivia sozinho. - interrompi eu.

-Mas não tinha mais ninguém que o ajudasse, quer dizer ele tinha 17 quando te conheceu certo?

-Sim!

-Então ele ficou sozinho aos 16 anos, sem ninguém, credo eu tenho 35 e não sei se alguma vez vou conseguir viver sem ti!

-É muito mau mesmo, mas deixa-me continuar.

-... e estávamos a ler cada um o seu livro, quando a minha mãe repara que eu tenho uma bola enorme no braço. Fomos a correr para o hospital... blá blá blá ... o médico diagnosticou-me cancro e pronto, esta é a minha vida miserável, mas nada se compara à dor de ter perdido um irmão, eu sou filho único portanto.

-Foi por teres perdido a tua mãe que começas-te as consultas no psicólogo? - perguntei eu.

-Não achas, eu detestava ir lá, ele só se queria meter na minha vida, dizia sempre que me ia ajudar, mas a única coisa que fazia era deixar-me mais em baixo.

-Então porquê que ias!?

-Foi a minha mãe que me pôs lá...

-Porquê!?

-Tu não vais querer saber...

-Ian conta-me!

-Tu é que pedis-te! Os anos foram passando e eu deixei de sentir o braço, os médicos diziam-me sempre que eu ia ter de amputa-lo para não morrer, ou se não o tumor iria espalhar-se pelo corpo todo como um vírus. Eu neguei, e continuo a negar, prefiro morrer a ter que amputar o meu braço, aí sim é que todos vão tratar-me como um coitadinho. Nem pensar! Eu via perfeitamente a dor da minha mãe dia após dia sempre que me vinha deitar, via a mágoa nos olhos dela, por isso decidi por fim à minha vida...

-Tu fizeste o quê!? - gritei eu.

-Eu já sabia que ias reagir assim, mas sim foi isso que eu fiz, só que como vez não resultou, os cortes não foram demasiado fundos, as pontes não foram demasiado altas, haviam demasiadas boas pessoas naquele momento!

-Tu continuas a cortar-te Ian, mesmo sabendo que eu estou aqui contigo, a tua namorada está aqui Ian, para com isso por favor!

-Eu já sabia que não te devia ter contado isto...

-Devias sim, e nós vamos arranjar uma maneira de te ajudar!

-Não Sarah, eu não quero ajuda, eu não preciso de ajuda, eu não preciso de ninguém!

Capitulo 8

-Desculpa dizer isto mãe, mas ele era muito ingrato, as pessoas tentavam ajuda-lo e ele falava daquela maneira.

-Ele não era ingrato querida, ele simplesmente não queria que as pessoas o vissem como um impotente percebes?

-Sim eu compreendo isso, mas mesmo assim, ele acabava por magoar quem lhe queria bem!

-Isso é verdade, mas ele não fazia por mal.

-Continua então!

-Ele foi embora sem me dizer nada, deixei de o ver assim que ele atravessou a ponte do jardim,acabei por voltar para casa sozinha. Tive que entrar pela janela e tudo. Passei dois dias sem o ver até que numa manhã quando me levantei e fui para a cozinha tomar o pequeno almoço, lá estava ele sentado no sofá preto de pano a conversar com o meu pai.

-Ian!? - disse eu.

-Bom dia Sarah! - respondeu-me ele.

-O quê que estás aqui a fazer?

-Sarah o Ian veio cá para me pedir a tua mão... - iniciou o meu pai.

-O quê!?!?

-Pedir-me a tua mão em namoro, claro!

-Ah! - naquele momento confesso que me senti aliviada, mas ao mesmo tempo surpreendida com aquilo que ele fez, nunca pensei que ele tivesse coragem de fazer aquilo, era o meu pai!

-Eu nunca o conheci, mas presumo que naquela altura fosse complicado o pai aceitar o namorado da filha. - disse-me ela.

-Era mesmo, mas por com muita surpresa minha o meu pai aceitou depois de lhe fazer um longo interrogatório.

-Ele contou-lhe da doença!? - perguntou a minha filha.

-Sim, eu estranhei tendo em conta que ele não me tinha contado a mim, mas anos depois vim a saber que ele lhe tinha contado da doença porque já sabia que ia morrer...

-Como assim!?

-Ele já estava em estado terminal e só tinha mais alguns meses de vida, coisa que eu só soube no dia após a morte dele.

-Conta-me tudo.

-Depois de o meu pai ter aceitado o nosso namoro, ele foi começando a aparecer cada vez mais em minha casa para jantar, os meus pais adoravam-no, ele era bastante divertido, contava várias piadas, tinha uma faceta que eu nunca tinha conhecido dele, mas que adorava. Os meses foram passando com jantares regulares em minha casa pelo menos todos os fins de semana, até chegar o dia em que fazíamos um ano de namoro.

-E então como é que foi!? - perguntou-me ela entusiasmada.

-Foi incrível querida, eu cheguei a casa da escola e não havia lá ninguém, supostamente até que acendi as luzes da sala e vi uma mesa cheia de doces com um bilhete que dizia para eu ir ter com ele ao parque do nosso primeiro encontro, e ela fui eu, depois de comer um docinho de canela...

-Os teus preferidos!

-Claro. Assim que cheguei ao parque lá estava ele em cima da ponte com um ramo enorme de rosas vermelhas, ao todo eram 12 rosas uma por cada mês que estivemos juntos.

-Agora vem a parte lamechas blá blá blá, passa à frente! - disse-me ela rindo-se.

-Pronto está bem, ele levou-me a casa depois de uma tarde maravilhosa e lá estavam os meus pais a apoderarem-se dos meus docinhos de canela.

-Oh meus Deus que doidos!

-Eu nem me importei, fui logo por as rosas em água par não murcharem, até que uma semana depois, o telefone de minha casa tocou e a Marie, a senhora que ia lá todas as semanas arrumar a casa atendeu, a cara dela mudou completamente e logo de seguida chamou por mim. Fui a correr para o telefone e disse:

-Estou!?

-É a menina Sarah?

-Sim a própria, quem fala?

-Fala-lhe o doutor Adam do centro hospitalar...

-O quê que aconteceu doutor?

-Infelizmente hoje tivemos a entrada de um paciente em estado critico...

-Ian!

-Exatamente, estamos a contacta-la para lhe pedir que venha imediatamente para cá, o seu amigo não está nada bem e teremos que desligar as máquinas dentro de uma hora...

-Eu desliguei logo o telefone, calcei-me a pressa e pedi ao motorista do meu pai para me levar ao hospital, assim que lá cheguei entrei imediatamente na sala onde ele estava, foi horrível, ele babava-se todo e o seu braço estava todo ligado, disseram-me que o encontraram deitado na berma da estrada nacional inconsciente e o trouxeram imediatamente para o hospital, ele ainda não tinha acordado desde então. Disseram-me que ele teve sorte de não ser atropelado pelas pessoas que o encontraram, e que ele tinha um bilhete na mão que dizia: -iniciei eu pegando no bilhete que ele me deixou -"Meu amor, nunca pensei ter de escrever esta carta, já não aguento mais pequenina, recebi ontem uma carta do meu médico de família que mais uma vez me tentou convencer a amputar o braço, eu prometi a mim mesmo que nunca iria fazer isso e tenciono cumprir a minha promessa. Se estás a ler isto é porque eu estou nunca situação muito complicada, caso contrario eu nunca te teria mostrado, peço imensa desculpa por todos os desgostos que te fiz passar, por todas as complicações que tivemos. Mas estou aqui para te avisar de uma coisa, não sei se reparas-te nesse pequeno pormenor, mas no ramo de rosas que eu te dei todas elas foram morrendo gradualmente, um dia uma, uma dia outra, tudo isto porque eu ia à florista todas as semanas pedir que me guardasse uma rosa, e no fim de doze semanas eu pedi para ela acrescentar uma de plástico, provavelmente a esta hora só tens uma rosa que continua intacta, essa é a de plástico. Com tudo isso eu só te queria dizer que o meu amor por ti só irá acabar quando a ultima rosa murchar. Amo-te eternamente. Com amor Ian!"

-Esta é a ultima rosa certo? - perguntou-me a minha filha.

- Exatamente! Depois de ler o bilhete não aguentei, deitei-me ao lado dele na cama do hospital no pouco espaço que tinha e fiquei ali até que as enfermeiras me disseram que tinha que me despedir para desligarem as máquinas, agarrei-lhe a mão com tanta força filha, tanta mas tanta que ele acordou, não sei como mas ele acordou, olhou para mim com a pouca força que tinha e sussurrou "até sempre". Eu beijei-o uma ultima vez e vim embora, para que eles pudessem desligar o magnifico aparelho que o deixava vivo. - Não aguentei o choro.

-Mãe não chores!

-Desculpa querida... - limpei as lágrimas.

Naquele momento ouvi os gémeos a subirem as escadas.

-Avó Sarah, mamã o tio Scott já chegou!

E assim acabo a minha pequena grande história de amor com a melhor pessoa que conheci até hoje.

"Até sempre meu amor"

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